sexta-feira, março 20, 2026

'Os Sete Dias da Criação' |8| Luís M. P. Silva - Ainda o primeiro dia: ‘Deus disse: «Faça-se a luz.» E a luz foi feita.’ Deus é origem, através da Sua Palavra.

 

(‘Os Sete Dias da Criação’ | Rubrica dedicada ao diálogo entre ciência e religião)
Artigo originalmente publicado na revista 'Mundo Rural'

Luís Manuel Pereira da Silva*

Neste passo da nossa reflexão sobre ‘os sete dias da criação’, gostaria de enfrentar três aspetos que nos é possível observar deste densíssimo versículo 3 de Gn 1: o vínculo indissociável entre ‘a’ Palavra e Deus; a bondade da criação e, por fim, a dificuldade da receção do texto perante das descobertas científicas.

Enfrentemos o primeiro destas três observações.

É, para nós leitores do século XXI, já imbuídos da ‘resolução’ da controvérsia trinitária, óbvia a relação entre a ‘Palavra’ de Deus e o próprio Deus. A ‘Palavra’ não é um ‘suplemento de Deus, mas a Sua ação pessoal criadora, indissociável da Sua própria natureza. A Palavra é Deus, como Deus é, também, o princípio. É princípio pela Sua Palavra e é pela Palavra que dá início a tudo.

Para nós, isto é, hoje, claro.

Mas, se recuarmos ao século IV, ao contexto das controvérsias que deram pretexto para o primeiro Concílio ecuménico (universal, de toda a ‘terra habitada’) do Cristianismo, perceberemos que esta constatação não era, então, assim tão clara. Para Ario, o presbítero de Alexandria cujas teses Atanásio, ainda diácono do Bispo de Alexandria (de nome ‘Alexandre), teve de enfrentar e refutar, em Niceia, em 325, a Palavra era a primeira das criaturas de Deus. Não coincidia, não era da mesma substância (consubstancial, como dizemos no credo – que é ‘nicenoconstantinopolitano’) de Deus. Havia um hiato entre Deus (princípio absoluto, solitário, ‘fechado em si’) e a Sua Palavra. Ora, Génesis torna clara esta unidade indissociável entre ‘Deus’ e ‘Palavra’, mostrando que a ação de Deus se opera na e pela Palavra. A Palavra é o ‘nome’, a ‘pessoa’ (condição de diversidade em Deus) pela qual Deus todo (trinitário) cria. E isso é notório na preocupação com que o autor bíblico nos descreve os atos criadores. Diz que ‘Deus disse’ e ‘aconteceu’. A Palavra de Deus é eficaz.

Em segundo lugar, recuperemos uma constatação já insinuada em anteriores etapas deste nosso percurso reflexivo: a criação, na perspetiva bíblica, é bondosa. No pensamento, no desejo de Deus, toda a sua criatura, toda a sua criação é boa, contrariando aquilo que os vários maniqueísmos (o nome nasce de Manes, um nobre persa que viveu no século III d.C., no contexto da religião zoroastrista, na Pérsia, que defendia que, na sua origem, a criação tem dois princípios antagónicos: o do bem e o do mal. Esta tese sedutora exerceu muita influência, chegando, inclusive, a muitos cristãos. Recordemos, a título ilustrativo que o próprio Santo Agostinho, no século IV-V, sofreu, numa fase anterior à sua conversão ao cristianismo, influência desta perspetiva.) da história, repetidamente foram sustentando. Na visão bíblica, a criação é, originariamente boa. Deus não é um criador do mal; é um criador do bem. O mal é a corrupção, a degradação, a não correspondência ao que Deus pretende e à natureza própria da criação.

Em terceiro lugar, enfrentemos uma interrogação que tem servido de lastro a toda a reflexão que temos vindo a desenvolver – no confronto entre o texto bíblico, literalmente analisado, e as conclusões que a ciência exata e experimental foi retirando, à medida que foi apurando o seu método, verificaram-se, em alguns momentos, dissonâncias, divergências.

Guardemos, para já, essa constatação.

Repitamo-lo: do confronto entre o texto bíblico, lido em registo literalista, e as descobertas científicas, ocorreram, em muitos momentos, desencontros.

É importante que a tenhamos em conta, pois o caminho que nos propomos é o de, enfrentando essa constatação, procurar uma via de encontro e convergência que nos permita evitar repetir erros que a história já nos evidenciou.

Entre as tentativas de permitir atenuar a ‘dureza’ da constatação dessas dissonâncias encontra-se a chamada ‘interpretação acomodatícia’, que fez longa escola. Na verdade, como recorda Agustín Udías Vallina, no seu muito interessante ‘Ciencia y fe cristiana en la historia’, ‘esta interpretação já tinha sido utilizada com os textos que falam da Terra plana, sendo aceite a sua forma esférica já por autores como Beda, o Venerável e ao longo da Idade Média.’ (p. 88) Recordemos que Beda, o venerável, viveu nos séculos VII e VIII e que, como já vimos, em etapa anterior, toda a Idade Média pressupunha que a Terra era esférica, contrariamente ao preconceito repetidamente referido de que a Idade Média acreditava numa Terra plana.

Ora, a pergunta a fazer é, precisamente, sobre como conciliaram os leitores atentos da bíblia as suas múltiplas referências à terra como plana com a tese ‘científica’ de que a Terra era esférica.

A interpretação acomodatícia foi, durante muitos séculos, uma das que vingaram, ao lado das abordagens alegoristas, podendo definir-se como a ideia de que os autores bíblicos acomodaram (por isso ‘acomodatícia’) a sua escrita às conceções próprias dos seus tempos. Vallina diz que ‘interpretação acomodatícia significa que os textos estão acomodados ao sentir da época em que foram escritos.’ (p. 88)

É uma abordagem confortável e que serenou, durante muito tempo, os ‘espíritos’ de controvérsia, mas valerá a pena conservar uma interrogação: será uma abordagem suficiente? O literalismo para que procura ser resposta é o modo exclusivo ou, sequer, o que deverá adotar-se, na abordagem ao texto bíblico?

Vê-lo-emos, ao longo da nossa posterior reflexão.

 


Sugestões bibliográficas

 

Agustín Udías Vallina, Ciencia y fe cristiana en la historia, Maliaño, Editorial Sal Terrae, 2021.

Isidro Lamelas (coord.), O primeiro concílio ecuménico – Niceia 325: memória e herança, Apelação, Paulus editora, 2025.

D. António Couto, O livro do Génesis, Leça da Palmeira, Letras e Coiras-livros, 2013.

Santo Agostinho, Da interpretação do Génesis: dois livros contra os maniqueus, Prior Velho, Paulinas, 2021.

Gerhard von Rad, El libro del genesis, Salamanca, Ediciones Sígueme, 19887.


*Professor, Presidente da Comissão Diocesana da Cultura
Autor de 'Bem-nascido... Mal-nascido... Do 'filho perfeito" ao filho humano', 'Ensaios de liberdade' e de 'Teologia, ciência e verdade: fundamentos para a definição do estatuto epistemológico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg'


 

 

quinta-feira, março 19, 2026

Os carros, na Polónia, não têm buzina: ecos de uma visita a Cracóvia e Auschwitz

 

Acabo de regressar de visita de estudo à Polónia.

(Não pretendo, porém, fazer deste um texto de literatura de viagem. Antes, uma espécie de página rasgada de um diário de memórias…)

Ir aos locais confere-nos experiências que nenhum livro (apesar de os ter como meus fiéis companheiros) poderá, alguma vez, replicar ou substituir. Os cheiros, os ritmos, a língua falada, os tempos e os modos, são irreplicáveis.

Curiosamente, porém, o odor, esse sentido que logo coloco em alerta quando me desloco a um novo destino, desta vez, foi escassamente convidado a manifestar-se. O tempo de inverno adormece as flores e anoitece os alvoreceres perfumados.

Mas muito havia a descobrir, para além do que nos reserva o olfato, esse sentido tão carnal e corpóreo que nenhuma inteligência artificial ousará replicar.

Fui a Cracóvia e a Auschwitz. Reservarei, para um segundo momento, a emoção deste lugar singular. Deter-me-ei, primeiramente, nas impressões de Cracóvia.

Levava-me a expectativa de ver quanto de S. João Paulo II se guarda, na memória dos lugares daquela cidade.

Percebe-se que, Cracóvia, tendo no seu histórico cidadão mundial, o arcebispo Karol que, um dia, chegou a Sumo Pontífice, talvez o seu mais reputado e amado cidadão (ainda que tivesse nascido em Wadowice), a profundidade da fé católica, que define a genética daquele povo, suplanta a densidade da importância de uma só pessoa. Surpreende perceber-se a catolicidade de que se faz aquela cidade. Uma catolicidade que se torna efetiva na capacidade de universalidade que se vislumbra na importância do seu rei herói, o grande monarca Casimiro, aquele que soube acolher os abandonados desses tempos, entre eles, os sempre rejeitados judeus. Será, aliás, dessa memória que falarão os que sumamente os quiseram extinguir, os nazis. Numa tristemente célebre cena evocada no ímpar filme ‘Lista de Schindler’, Amon Goeth, o terrível chefe do campo de concentração de Plaszow, quando se preparava para esvaziar o gueto de Cracóvia (também ele um lugar visitado em dia de comemoração dos 83 anos do seu encerramento – uma coincidência que nos permitiu assistir às cerimónias adiadas por um dia, por motivo de, na efetiva data, ser Sábado – dia sagrado para os judeus) recorda que Casimiro, o Grande, dera aos judeus a liberdade que ele, Amon, se propunha, agora, extinguir para sempre. E perto estiveram os nazis de o conseguir.

Dessa terrível, temível e hedionda eficácia fala Auschwitz-Birkenau… A esse lugar ‘não-lugar’ regressarei, mais adiante.

Volto a Cracóvia.

Ir ao lugar, habitar, por algum tempo, com os que dele fazem o seu tempo, permite-nos, com a distância de quem habita e faz tempo noutros lugares, vislumbrar sinais da singularidade de cada morada.

Cracóvia é uma cidade bela. É uma cidade ampla, aberta, de espaços onde se pode peregrinar pela história sem se desistir do presente. É uma cidade que surpreende porque é ampla, como a planura da Polónia. Não via montanhas. Só planícies. As planícies que tão apetecível tornam este país e que podem ajudar a explicar porque tão difíceis foram, ao longo da história, as relações de vizinhança com alemães e russos, os seus ‘arqui-inimigos’ que muito ganhariam em, de vez, unir esforços, em vez de os dividir. A História deste povo é a história de uma luta contra os apetites vorazes dos que os rodeiam. É, por isso, uma história de resistência ao perigo do desaparecimento. Uma resistência visível na unicidade da sua língua - participei em missa dominical de que percebi pouco mais do que ‘efésios’, ‘Jesus’, ‘Jerusalém’ e muito pouco mais (Mas a virtualidade dos rituais é que a sua simbólica os torna transparentes para quem participa da sua semântica). Mas se se ousasse olhar quanto de significativo aqui se reserva! A Polónia teve, entre 1573 e 1795 reis que eram eleitos. E não se pense que só o podiam ser os que provinham das linhagens. Foram eleitos franceses, húngaros, leigos e bispos, reis e rainhas, numa diversidade que surpreende e evidencia a originalidade deste povo.

E no viver também se torna notória esta particularidade.

Surpreende a serenidade quotidiana de uma cidade com cerca de 700 mil habitantes que, não sendo exuberantes nos modos (não ouvi gargalhadas ou aparências de ‘piadas’, tanto ao gosto dos latinos. Na verdade, a única gargalhada e volumosa troca de conversas provinha de um grupo que, quando passou por mim, percebi ser de italianos…), se respeita e acolhe. Na estrada, não ouvi uma única buzinadela. Entrecruzam-se carros, elétricos, bicicletas e peões, sem que se atropelem e cedendo, espontaneamente, a passagem como se uma qualquer lei suposta tivesse demitido a presunção de que se ‘tem sempre razão’.

O sofrimento da história talvez explique a capacidade de não valorizar excessivamente o que não o merece.

Um sofrimento de que a célebre entrada de Birkenau (com a sua linha férrea dirigida ao abismo da História) ou o lema de Auschwitz (‘arbeit macht frei’) evocarão, para sempre e para todo o sempre.

No dicionário de Auschwitz-Birkenau eclipsa-se um vocábulo: ‘turista’. Outro preenche o seu lugar: ‘peregrino’.

É impossível passar por ali como quem sobrevoa um lugar. Os nossos pés ficam enlameados e presos na terra empapada de sangue.

A entrada, demorada e prolongada, antes de nos abeirarmos do portão encimado pela tristemente célebre frase feita do sarcasmo nazi (‘o trabalho liberta’), faz-nos percorrer um longo corredor onde, pausadamente, uma voz nos sussurra nomes. Um de cada vez, para que penetre, profundamente, em cada um, a memória viva de quem se quis apagar até o próprio nome, substituindo-o por um número.

Somos esmagados. Um nome. Outro nome. Outro nome… Nomes, apenas. Porque aquele percurso fora feito em sentido contrário: com o intuito de apagar qualquer nome.

Tudo em Auschwitz é maldade.

Para um judeu, que quer ser inumado, enterrado, para que possa ser devolvido à terra donde proveio, como Adão, ser cremado é a derradeira humilhação. Dessa humilhação falam os fornos crematórios. Esses definitivos ‘não-lugares’ e ‘não-tempos’.

Eram o último ato de sarcasmo nazi. Depois de despirem os recém-chegados aos campos, de os gasearem (em inúmeros casos) a pretexto de lhes proporcionarem banho, de os reduzirem a um número, de os dividirem uns contra os outros (os colaboracionistas e violentos tinham ‘benesses’ que recrudesciam as ações de uns para com os outros), de os desumanizarem até ao mais baixo possível (Birkenau é um campo composto por barracas que se destinavam a animais, transformadas em lugares para ‘amontoados de pessoas’), reduzir a fogo e cinza era o derradeiro grito sarcástico.

A humilhação pura, gratuita, decadente, desumanizante.

Auschwitz-Birkenau é silêncio. O silêncio que se abate sobre nós.

O silêncio que nos deve despertar.

Como recordava a guia, de nome ‘Aneta’, isto só foi possível porque o ‘mal e o bem se confundiram’.

E, como me recordava alguém muito próximo, quando lhe disse onde estivera, ‘Auschwitz cheira a morte’.

Li, durante os dias em que fiz esta ‘peregrinação interior’, o livro de Bernard Michal, ‘os julgamentos de Nuremberga’.

Densificou-se em mim a convicção de que não podemos estar certos de não se repetir a inumanidade de que fala Auschwitz. Exige-se que não se deixem adormecer os ‘não-violentos’. Exige-se que não deixemos de agitar a cinza sob a qual repousa o brilho. Exige-se que continuemos a ver o humano que refulge sob as rugas dos tempos e debilidades. Exige-se que mantenhamos a certeza da humanidade onde a ideia que desumaniza pretende prevalecer. Exige-se que nos mantenhamos atentos, em atitude de sentinela. A alvorada verdadeira só será a do sol, não a dos holofotes sinistros.

Os tempos são de exigente atenção.

Quem serão, hoje, os novos ‘judeus’?

Os de sempre, bem certo, e tantos novos…

Os que ninguém quer porque ainda não são; porque já não parecem ser; porque nunca poderão ser; porque serem incomoda; porque serem perturba; porque já não merecem a esperança.

Quem são os novos ‘judeus’?

Em memória dos judeus de todos os tempos exige-se que despertemos e honremos a memória dos esmagados pelas botas de ferro.

Somos todos humanos, fragilidade de Adão e só na eternidade seremos como o Eterno. Até lá, fazemo-nos de ‘terra’, de caminho juntos, de olhar que vê o humano que a deficiência habita. O verdadeiro poder não é o da humilhação, mas o do perdão que cresce e faz crescer; que acolhe e respeita.

Schindler recorda-o, no celebérrimo filme, em diálogo com Amon Goeth. O maior poder dos imperadores, diz Schindler, não era o de matar; mas o de perdoar quando o destino apontara a morte como fatalidade intransponível.

Esse é o maior poder: o de perdoar. O de se reconhecer pequeno como e com os pequenos.

Como os de Cracóvia, não precisamos de ‘buzinar’ porque nos respeitamos, reciprocamente. O outro não nos estorva: vive connosco e crescemos, juntos, com a singularidade de cada um, sem a qual somos mais pobres. A nossa verdadeira riqueza são os outros. O que é novo não nasce de nós: recebemo-lo dos outros.

Auschwitz é a negação disto; é a recusa do outro e a sua redução à condição de estorvo a abater.

Mas, sem o outro, sem o tu que o outro é, morre, também, sob a ilusão de vitória, o próprio eu. Permanece na sua loucura narcísica. Torna-se uma massa informe. A massa amorfa e sem identidade que pretendiam os nazis.

É por isso que Auschwitz terá de permanecer, para sempre, como aguilhão doloroso na pele de todos: ninguém seremos, se não ‘formos’ com os outros, únicos e singulares.

sábado, março 07, 2026

Sabes, leitor... | 27 | Marca de água do livro 'Woke fizemos?'

 

Rubrica ‘Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página’** | Marca de água de livros que deixam marcas profundas
Parceria: Federação Portuguesa pela Vida e Comissão Diocesana da Cultura

Luís Manuel Pereira da Silva*




O(s) autor(es) e a obra
Teresa Nogueira PINTO e Miguel CÔRTE-REAL (COORD.), Woke fizemos? Anatomia de um totalitarismo suave, Alfragide, Oficina do Livro, 2025.

‘Woke fizemos?’ é uma obra plural. Tal como a interrogação do título. Coordenada por Teresa Nogueira Pinto e Miguel Côrte-Real, reúne dezasseis ensaios de grande diversidade de estilos e de modos de leitura, correspondendo, aliás, à diversidade dos próprios autores: Professores de filosofia, historiador, de teoria política, arquitetos, cientistas políticos, criadores de fotografia e vídeo, jornalistas e críticos de cinema, sociólogos, advogados, analistas políticos, assegurando ao leitor um autêntico caleidoscópico da realidade do wokismo nas sociedades atuais.

Já em momento anterior desta rubrica analisei um livro sobre o ‘wokismo’, cuja leitura recomendo como complemento desta. Estou, aliás, convencido de que há um antes e um depois desse livro – ‘a religião woke’, de F. Braunstein –, por provir de um autor insuspeito (descrente e identificado como de esquerda). O seu aparecimento tornou mais tranquilo o reconhecimento de que estávamos, efetivamente, perante um problema que atravessa a sociedade, de um ao outro lado do espetro político. Dessa mesma consciência nos dão conta os próprios autores destoutro livro que, agora, apresento. Um deles afirma, mesmo: ‘desengane-se quem pensa que se trata de um combate ideológico restrito aos segmentos da direita: é um combate que pertence a toda a sociedade civil que renuncia a viver sob o jugo woke.’ (Gonçalo Nabeiro, p. 221)

Pela diversidade complementar de leituras, e superada a dúvida de esta fosse uma matéria merecedora da preocupação de apenas alguns, este livro torna-se, pela oportunidade e multiplicidade de abordagens, de visita recomendável, para que se perceba como nasceu e como chegou até nós essa tão implantada lente ocular com que, hoje, vemos, despertos (‘woke’ – estar acordado), o mundo.

Marcas de água 

(o que fica depois de se deixar o livro)

Este livro serve, precisamente pela multiplicidade de âmbitos de que provêm os autores dos ensaios, multiplicidade que se repercute nos terrenos em que analisam a presença da cultura woke, para se perceber, com assombro, como esse ‘modus cogitandi’ (modo de pensar) se entranhou, profundamente, na cultura atual, tornando difícil o distanciamento crítico. Do cinema às artes visuais, da literatura à filosofia, do humor à sexualidade, das relações políticas às relações mais individualmente consideradas, o wokismo chegou e entrou como suave ‘perfume’ que inebria. A ideia a que alude o subtítulo ‘anatomia de um totalitarismo suave’ permite-nos revisitar a história da rã que, colocada em recipiente de água, é cozinhada, progressivamente, sem de tal se dar conta. Desse mesmo modo, o wokismo, tantas vezes recusado pelos que dele recolhem dividendos, anestesia, sob a capa de uma genuína simpatia (Como não repudiar a injustiça? A discriminação? O racismo? A desigualdade?), criando, na sociedade, uma lógica que repercute a forma mentis (a estrutura da mente) marxista que tudo reduz a luta de classes, agora reconfigurada.

E fá-lo de um modo particularmente eficaz: não só critica e denuncia como, prontamente, criminaliza toda a oposição, transformando em pensamento único o modo de chegar à meta da injustiça, fazendo supor que um só é o caminho para chegar à justiça.

Soma-lhe, ainda, uma outra estratégia, genialmente recordada no celebérrimo 1984 de George Orwell: ‘quem controla o passado, controla o presente’, pelo que, para promover o seu caminho, manipula a história, revisitando-a como lugar de exploradores e explorados, sem lugar possível para um qualquer ‘encontro de culturas’ ou de ‘povos’.

O wokismo propõe-se despertar o mundo de um suposto adormecimento para a congénita injustiça do mundo, mesmo que de tal não se sinta participante aquele a quem se atribuem as funções de explorador e explorado. Mesmo que não seja explorador aquele sobre quem recai tal ‘preconceito’; ou ‘explorado’ aquele que se propõem libertar.

Por efeito da chamada teoria crítica, caldo em que germinou este modus cogitandi, a realidade deixa de ser tomada na sua objetividade por a ela sempre se estar impossibilitado de aceder, num registo pós-moderno que recusa a «verdade objetiva». O corpo, ele mesmo realidade objetivamente considerada pelos ‘não-wokes’, é, agora, dispensável da consideração da identidade, sendo platonicamente relegado para a condição de entrave à realização individual. O sexo é, assim, substituído pelo conceito de ‘género’, termo que visibiliza a ideia de que a identidade sexual individual depende do próprio sujeito e do seu reconhecimento, isolando num solipsismo máximo o indivíduo a que os restantes só podem aceder por autorização deste.

Tudo se torna diluído, líquido (para evocar o pensamento de Zigmunt Bauman), sem suporte real, reduzido que está à perceção individual. O indivíduo, no wokismo, é a medida de todas as coisas (coisas já sem substância nem consistência, pois totalmente dependentes do sujeito).

Perante o sufoco que uma tal abordagem gera em quem se detém a pensar nestas matérias, o livro deixa inúmeros sinais de que a procela possa estar a iniciar a dissipação. Mas muito há a fazer, em particular, no que respeita ao dever de se manter em estado de vigília e vigilância. É que, ironicamente, o wokismo nasceu de um torpor e adormecimento de que se aproveitou para se implantar, em nome de ser um despertador. Agora, começamos a esticar os braços e a espreguiçar-nos, mas ainda só estamos na aurora…

 

Na mesma página que o autor (citações)

‘O wokismo é […] um totalitarismo suave: pretende educar consciências, corrigir a linguagem, restringir o debate e condicionar comportamentos. Não promete amanhãs que cantam, mas dedica-se à reinvenção do passado com o mesmo zelo com que regula o presente. É sinal de um tempo de crise intelectual e moral, sintoma de uma época de angústias e, quiçá, prenúncio do fim de um ciclo.’ (Nogueira Pinto, Prefácio, p. 9)

‘A partir da influência da Teoria Crítica, a abordagem da questão colonial deixará de se nortear paulatinamente por uma abordagem histórica interessada em documentos e factos. Ela será conduzida doravante pela ideia arraigada de que o mundo se divide na confrontação entre opressor e vítima, havendo sempre dois discursos, duas narrativas, que expressam a relação conflitual. Por um lado, há o discurso do colonizador, falando de uma modernidade triunfante, de um pensamento universal, do progresso da ciência e das conquistas do conhecimento, do descobrimento da América, do «encontro de culturas e de uma humanidade reunida em torno de «valores universais». Por outro, o pressuposto discurso do colonizado: um discurso que, focado na vítima como conceito fundamental, denuncia a vontade de poder subjacente à modernidade como o seu lado obscuro. Este seria o discurso que, negando a perspetiva do colonizador europeu, compreenderia que a relação entre opressor e vítima não cessaria, na medida em que é o próprio colono que, pela sua simples presença e existência, subordinando-a, faz (ou inventa) a sua vítima.’ (Alexandre Franco de Sá, p. 54)

‘A pergunta de James H. Sweet [Is History History?] também se ajusta ao que se passa em Portugal, onde há uma torrente de gente woke, levas sucessivas de alunos e professores que as universidades, na área das ciências sociais e humanas, constantemente formam e deformam. É, tanto quanto posso avaliar, gente profundamente crente nos dogmas do pós-modernismo e motivada para a militância (e vigilância) woke contra aquilo a que chamam História feita à moda antiga, isto é, História positivista. Há, por isso, fortes razões para temer que, sem uma reacção da parte sã da sociedade, a acção deletéria destas pessoas e concepções provocará um abalo irremediável no cerne da investigação historiográfica, isto é, na busca da verdade e no respeito pelo rigor.’ (João Pedro Marques, p. 82)

‘[O] que é ensinado nas universidades, em particular no contexto anglo-americano [é] marcado pelo que Alexandre Franco de Sá chama «militantes intelectuais». Essa abordagem académica baseia-se nas ideias popularizadas no final da década de 1960, promovendo currículos desenhados a partir dos três argumentos seguintes:

- argumento identitário: a convicção de que a forma como vemos, interpretamos e conhecemos o mundo depende da nossa identidade (sexual, racial, etc.), pelo que não é possível falar de um mundo comum e objectivo que esteja para lá da nossa identidade;

- argumento das dinâmicas de poder: a convicção, inspirada no pensamento marxista, de que as dinâmicas sociais se traduzem sempre em dinâmicas de poder, pelo que aquelas identidades estão em permanente tensão e conflito para deverem e exercerem o poder;

- argumento activista: a convicção de que o privado é político, pelo que em todas as dimensões da nossa vida devemos estar conscientes da nossa identidade e do modo como ela resulta de uma situação de privilégio ou de opressão, para podermos agir sobre o mundo e transformar essas relações de poder.

A partir destes três pressupostos, generalizou-se no mundo académico anglo-americano um sentimento de desprezo perante os valores ocidentais tradicionais, entendidos como mero resultado de opressão da identidade branca (privilégio branco), em particular do homem branco (patriarcado branco), visando subordinar e oprimis as restantes identidades (negros, BIPOC, o Sul Global) para manter o seu poder e o seu privilégio. Este etno-masoquismo não é um sentimento generalizado na população: nasceu nas elites universitárias, mas tem vindo a aumentar a sua influência em resultado do crescente número de estudantes no ensino superior. É, por isso, um aspeto fundamental para compreender as divisões sociais actuais e os resultados políticos que surpreendem as elites políticas e intelectuais.’ (Patrícia Fernandes, pp. 90-91)

‘A partir do momento em que a busca da verdade passou a ser uma ideologia, não existem currículos ideologicamente neutros. Neste sentido, o embate educativo é ideológico.

Temos assistido a uma redução do assunto educativo artístico à visualidade que pretende expandir o olhar humano para aquilo que se pode ver e ser visto e que visa ampliar os temos da arte o restrito objecto de estudo que esta convoca, mas levanta questões que merecem uma tenta discussão sobretudo dentro de uma matriz cristã. Essa conformação à estrita visualidade das coisas deixa-nos susceptíveis à hiperimagem da abundância. É preciso ver menos para ver mais. […] Temos de nos recentrar na visualidade cristã do mundo. Uma visualidade intelectiva que vai muito para além daquilo que podemos ver e tocar. Voltar a ensinar a grande arte, o grande gosto e a grande cultura, que nos remeta para o significado original dessas criações artísticas. Mais do que destrezas e manualidades, a educação artística permite-nos a formulação de perguntas e mergulhar na profundidade do mistério humano.’ (Ricardo Roque Martins, pp. 123-124)

‘[…] a luta cultural preconizada pela Teoria Crítica é uma luta contra a biologia e que começa por atacar o próprio facto da sexualidade binária, sugerindo que a identidade sexual deve ser definida de forma mais diversa e fluída, desligada do corpo. É como se cada indivíduo tivesse simultaneamente potencialidades femininas e masculinas dentro de si, à espera de brotar, e a definição da sua identidade sexual fosse um processo de descoberta gradual, criativo e pretensamente livre de pressões normativas. Nessa linha, o corpo é entendido como uma prisão que pode ser um fardo por diferentes motivos. Especialmente para a mulher, no entendimento da maior parte das feministas, o maior fardo que o corpo lhes impõe é a potencialidade da gravidez, pois limita as suas possibilidades práticas durante, no mínimo, o longo período de gestação, e porque pode colidir com outros projectos pessoais, de ascensão profissional e com a plena possibilidades de gozo de cada momento.’ (Daniela Silva, p. 137)

‘Para Yoram Hazoni, o wokismo pegou nos conceitos marxistas de luta e exploração de classes e transferiu essa dialéctica, ou os polos dessa dialéctica – explorador-explorado, burguesia-proletariado -, para outras dicotomias. Assim, ali onde os marxistas-leninistas opunham as classes económico-sociais em guerra, os wokistas deixavam a imaginação dicotómica à solta, conforme as conveniências e a urgência da luta: «supremacias brancas versus povos racializados», «patriarcado versus mulheres», «heterossexuais cisgénero versus LGBTQ+» (Feser, 2023).’ (Jaime Nogueira Pinto, p. 151)

‘Questionar o movimento woke não é sinónimo de considerar que não existem oprimidos e opressores. Existem e sempre existirão. A forma de encarar tal equação é que será discutível e contestável. E neste caso, a condição de ressentimento que domina a cultura woke, como afilhada de um marxismo ressuscitado, alimenta uma visão bipolar e extrema, assente num malabarismo argumentativo que põe em causa a sabedoria popular, o que acaba por lhe retirar aprovação e adesão e, por consequência, angariar oposição e resistência. O pensamento woke é irrefutavelmente um pensamento que toma o niilismo no lugar da esperança, o relativismo no lugar do universalismo, e porventura é incompatível com a experiência humana.’ (João Pedro Marnoto, p. 188)

‘À falta de um contraponto à altura e na proporção ao nível da produção, só podemos contar, para inverter a tendência, com uma gradual reacção do público por cansaço ou overdose de doutrinação; com acções cívicas de protesto, oposição e boicote, como estão já a acontecer nos EUA por parte de grupos de cidadãos e de associações de pais e famílias, particularmente contra a wokíssima Disney; e com mudanças no mercado, ou seja, por quedas ou declínio das audiências e dos resultados comerciais, que se reflectirão no bolso de quem de direito e levarão eventualmente a um atenuar do conteúdo woke nas séries de televisão e streaming, ou mesmo a uma inversão radical do rumo. Se, como notou um analista do meio, «a indústria das imagens em movimento segue o som do dinheiro», talvez seja por aí que a maré do wokismo na ficção televisiva e em streaming possa começar a mudar.’ (Eurico de Barros, pp. 197-198)

‘A Ideia de que se pode combater injustiças e totalitarismos usando o humor é comprovadamente uma ideia da mais ternurenta inocência – e ignorância histórica e política. Os cabarés alemães nos anos de 1920 e 1930 eram bastante conhecidos pelas actuações de comediantes – e não evitaram o nazismo. As piadas soviéticas eram popularíssimas – e não evitaram o estalinismo. Henrique VIII tinha um bobo – que não evitou nenhuma decapitação. O humor pode servir para mostrar iniquidades, injustiças, desigualdades, vaidades e delírios. É habitual dizer-se que quando um sábio aponta para a Lua, o tolo olha-lhe para o dedo. É importante haver quem tenha essa vontade de olhar para o dedo do sábio, à procura de detalhes que outros não viam enquanto olhavam para a Lua. Mas daí a considerar que o papel do comediante é cortar o dedo do sábio, quando este discorda do tolo, ou tapar os olhos do tolo, quando se santifica o sábio, é um passo que muitos julgávamos não vir a presenciar neste século XXI.’ (Nuno Amaral Jerónimo, p. 206)

‘[…] desengane-se quem pensa que se trata de um combate ideológico restrito aos segmentos da direita: é um combate que pertence a toda a sociedade civil que renuncia a viver sob o jugo woke.

Após um período de descrença e de um certo declinismo – sentimentos, por sinal, compreensíveis e justificados -, há motivos para acreditar no reaparecimento do senso comum e na restauração da matriz cultural que nos define enquanto sociedade ocidental. Uma sociedade orientada para a liberdade, para o desenvolvimento e para as relações de respeito mútuo entre indivíduos, cientes dos seus direitos e deveres para que possam dar à comunidade aquilo que dela esperam.’ (Gonçalo Nabeiro, p. 221)

Para a difusão e enraizamento destas ideias perniciosas para a subsistência do Ocidente civilizado que conhecemos, foi condição necessária a substituição do primado do intelecto, próprio da filosofia clássica, pelo primado da vontade, que caracteriza a filosofia moderna. Mas isso não seria suficiente para que o wokismo vingasse como tem vindado: foi também preciso que houvesse fautores investidos em provocar o esmorecimento moral e civilizacional do Ocidente e idiotas úteis, disponíveis para colaborar no processo. Os últimos são conhecidos e estão aí: nas televisões e nos jornais, nos parlamentos e nos governos, nas ruas e nas redes sociais. Os primeiros são mais difíceis de descodificar, identificar ou mesmo revelar.’ (José Diogo Marques, p.226)

‘Não é para mim uma coincidência que os movimentos anti-woke estejam localizados, politicamente, junto da mesma direita que defende o fim da globalização globalista e o retorno da produção (que é o mesmo que dizer das empresas) às comunidades locais. Só o enraizamento do capitalismo nas comunidades locais permite verdadeiramente aproximar os gestores dos accionistas, reactivar o sentimento de pertença dos trabalhadores a um corpo, eliminando a relação distante que é inerente ao contrato de trabalho hiperliberal, e recuperar a noção de propriedade privada. Enquanto isso não acontecer, o líder-gestor-especialista continuará a impor à comunidade que serve […] aquilo que imagina como sendo o melhor para a comunidade, mesmo que a comunidade imagine o contrário. E, por isso, pelo menos no curto prazo, «DEI will not die».’ (José Bento da Silva, p. 272)

 

‘Para proteger a identidade de género, tudo é permitido. Inclusivamente, violar a consciência dos atletas, como no caso dos profissionais de futebol da Liga francesa, ou então, expor desportistas a formas de competição profundamente injustas, em que nunca conseguirão partir em pé de igualdade, como no caso da natação nos Estados Unidos. Pior do que isso, se necessário, expõe as mulheres a uma violência absolutamente inaceitável, como a de partilhar um balneário ou uma casa de banho com uma pessoa transgénero. […] A vitória woke é o triunfo dos derrotados que conseguem impor a sua derrota, perseguindo até às últimas consequências quem não quer ser derrotado como eles. Um acto de resistência à derrota tornou-se um passo para a conquista. A superação e a resiliência são características imprescindíveis para um desportista, e é tudo o que o wokismo pretende esmagar. Não podemos permitir.’ (José Maria Matias, p. 290.293)

‘Antes, não havia eleitores bons ou maus, esclarecidos ou equivocados. Havia eleitores, donos do seu voto, que os news media, por convicção ou comércio, respeitavam sem condições. Hoje, tal respeito, nas noites eleitorais e nos períodos intermédios, é uma memória remota e um anacronismo. Por convicção e por comércio.’ (Alberto Gonçalves, p. 303)

‘O caso Rocco Buttiglione ilustra como, numa primeira fase, as causas fracturantes se tornaram dominantes independentemente do apoio que essas mesmas causas colhiam na sociedade: as maiorias comportavam-se como derrotadas, os seus líderes optaram por centrar o seu discurso nas questões económicas e deixaram às minorias as questões de sociedade e culturais. […] Suprema ironia: enquanto destruía o centro-esquerda, o wokismo gerava o alargamento e a transformação da direita. Esta ganhou eleitores, mas olha-se ao espelho e não gosta do que vê. Não era assim que esperava ser. Mas vai ter de aprender a viver com isso porque na política nunca se volta ao que se foi.

Podia não ter sido assim? Precisamos de acreditar que sim, quanto mais não seja para continuarmos a acreditar que amanhã será diferente.’ (Helena Matos, pp. 320.327)

‘As ideias woke (como todas as ideias perversas) fizeram um caminho fácil de rastrear: pensadas na academia com base na interpretação enviesada dos fenómenos e realidades sociais, foram difundidas e até implementadas por ONG e movimentos que, ao nível local, promoviam, punham em prática e monitorização a implantação das mesmas. Massificadas pela comunicação social com base nos relatórios, casos e casinhos que as organizações de militância identificavam, chegam ao poder político depois de anos de sensibilização da opinião pública, que pressiona os políticos, dependentes/sedentos de votos, a adaptar o seu discurso e trabalho às novas reivindicações. […] É muito cedo para gritarmos que o wokismo morreu. Quem o faz, encara este tema com demasiada leviandade, sem perceber que este movimento foi até ao detalhe mais banal da nossa vida.’ (Rita Matias, pp. 332.346)

 


**(Título retirado de Daniel Faria, Dos líquidos, Porto, Edição Fundação Manuel Leão, 2000, p. 137)

*Professor, Presidente da Comissão Diocesana da Cultura
Autor de 'Ensaios de liberdade', 'Bem-nascido... Mal-nascido... Do 'filho perfeito" ao filho humano' e de 'Teologia, ciência e verdade: fundamentos para a definição do estatuto epistemológico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg'

Foto recolhida da Leya online

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