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segunda-feira, dezembro 23, 2024

Natal: 2000 anos depois, o escândalo continua…

 

Artigo originalmente publicado no Correio do Vouga

Luís Manuel Pereira da Silva*

‘Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria que o será para todo o povo: hoje, na cidade de David, nasceu-nos um Salvador que é o Messias Senhor!’ (Lc 2, 10)

A frequência da escuta embotou-nos os ouvidos que já amenizaram o escândalo, como se de um lugar-comum tratassem as palavras que recordam o mistério. (Ou teremos levado tão a sério o convite a que não tivéssemos medo que, efetivamente, o superámos?)

Mistério evoca sempre a ideia de uma realidade diante da qual cabe fazer silêncio, emudecer-se. Mas o mistério cristão, escandaloso como sempre, já não é, apenas, uma realidade diante da qual cabe fazer silêncio. É um desvendar da realidade que, de tão denso, nos interpela a reler a existência e reconfigurar o nosso olhar. O mistério cristão define-se, essencialmente, como realidade que, de tão densa, é paulatinamente desvendável, mas nunca suficientemente abarcável: tomamos parte mas muito mais é o que nos escapa. O que se capta, porém, é já suficientemente significativo para nos dar novo sentido à existência.

Deste modo de pensar o mistério se trata ao falar do da Encarnação.

Dois mil anos volvidos, o que aconteceu em Belém continua, aos ouvidos atentos de hoje, a ser motivo de escândalo e estonteamento.

Ao tempo, fora-o para judeus, incapazes de aceitar que o distantíssimo Deus, de que só nos poderíamos acercar pela Sua Lei, pudesse tornar-se humano. Essa kenose, tão sublimemente enunciada pelo também judeu Paulo de Tarso, no seu hino cristológico feito epístola aos Filipenses, era inaceitável para os ouvidos judaicos. Não o era porque a corporeidade não pudesse ser abarcável pela sua compreensão de Deus, mas pela insignificância do humano, perdido desde o paraíso e errante pelo mundo. Ver a Deus era de todo impossível. Encarnar era, então, inadmissível.

Fora-o, também, para os gregos e todos os que, na senda do espírito helénico, reduziam o homem ao seu espírito, encarcerado que estava num corpo material, essencialmente mau e de que se pretendia a libertação.

As duas reticências permaneceram, ao longo da história… A reticência judaica e a reticência grega.

A encarnação, para os que não a anestesiam sob a capa da habituação, constituiu-se, ao longo dos tempos, escândalo maior, seja pela via judaica, seja pela grega.

Pela judaica, pela natureza de Deus; pela via grega, pela natureza do homem.

Hoje, o pêndulo continua a oscilar entre os dois ímanes.

Tende, porém, a ser mais fortemente atrativo o íman grego, nestes tempos que voltam a reduzir, gnosticamente, o homem ao seu pensamento e à sua alma.

A encarnação e a sua celebração como natal continua a escandalizar estes tempos para quem alguns de entre nós dizem habitar corpos que não são os seus. Como se não nos fizéssemos do encontro indissociável entre matéria e forma, impossibilitada que é a existência de uma essência (forma) sem a sua materialização (matéria).

Hoje, celebrar o Natal volta (continua, talvez!) a escandalizar porque se aceitou como verdadeira a afirmação de que alguém pudesse pensar-se sem se pensar no aqui e agora. O poder que tem o pensamento de voar convenceu alguns de que o voo fosse uma abstração e não movimento do pensamento concreto de alguém, situado e situável. O pensamento é sempre de alguém, com toda a sua história, feita de chão e habitar lugares concretos. É identidade feita caminho, feita de história, de tempos e lugares finitos de que se guardam lugares vividos, para abrir, antecipando, lugares a poder viver. Mas é um sujeito concreto, real, corporeamente real, que mora o passado, o presente e se lança para o futuro. É indissociável do seu realizar-se concreto.

Mas o íman grego continua a atrair…

O escândalo cristão continua a dar atualidade ao anúncio de que ‘hoje nasceu-vos o Salvador’, que é o verdadeiro ‘Emanuel’, ‘Deus connosco’. Apesar de instados a não temer, continuamos a ter medo e a recusar…

Aos nossos olhos de vidas tão curtas, 2000 anos já seriam tempo suficiente para se esperar que o escândalo se tivesse suplantado. Mas Deus é paciente e, aos seus olhos, nunca é tarde.

Deus continuará a precisar de nos anunciar, pela voz daquele que traz a mensagem, que, de uma só vez, Ele mesmo encarnou. Não como quem reencarna, para o repetir vezes sem conta, mas como quem assume, de uma só vez, de forma singular e irrepetível, a história única do encontro entre o Eternamente Outro e aquele em quem quis refletir-se como imagem e Sua semelhança. Os primeiros cristãos sabiam da natureza escandalosa de tão denso mistério e das suas implicações para o reconhecimento da unidade indissolúvel do humano. Por isso o quarto evangelho utiliza o termo grego ‘lógos’ (cuja tradução para português por ‘Verbo’ – do termo latino ‘verbum’– atenuou a força do significado), em que se congregam ideias como a de ‘palavra’, ‘pensamento’, mas também ‘ação’ e, numa densificação da etimologia, podemos chegar à ideia de ‘reunir’, ‘recolher’, ‘juntar’ (‘Logos’, in Logos, vol. 3, p. 475). João sabe que Aquele que ‘recolhe’, junta, reúne’ é, Ele mesmo o ‘Reunido’.

No mistério do Natal, afirma-se, enfim, que a realidade é toda ela - face às forças que pretendem cindir, separar, dividir - intrinsecamente simbólica, isto é, agregadora, unitiva. O Natal supera, por isso, a tentação de Adão: queria ser, unidimensionalmente – só ele, fechado em si, autossuficiente, uma só dimensão. O Natal é a explicitação de que a realidade se define, essencialmente, como unidade da alteridade, como encontro, como ‘lançar juntamente’ e não como separação.

É por isso (e precisamente por isso!) que a religião que nasceu deste mistério fundamental foi a criadora da ideia de pessoa. Não somos indivíduos fechados, autossuficientes, mas ‘pessoas’, seres intrinsecamente definíveis a partir do encontro, do ver-se e compreender-se a partir do tu.

Tudo isto está em causa, nestes tempos em que o Natal voltou a densificar-se como escândalo.

Verdadeiramente, é preciso voltar a anunciar que um Salvador nos nasceu, de uma vez por todas, para nos salvar do risco e da tentação da divisão, da dissolução da unidade incindível que define o ser humano, feito de ‘húmus’, de terra, de pés no chão real… Somos o que Deus quis ao criar-nos como Adão: imagem e semelhança no facto de sermos relação, encontro, real e feito do pó e da terra onde nos realizamos. Somos um fazer-se… Não um pensamento e alma imutável e definitivamente realizada e implantada num corpo.

O Natal restaura a humanidade como humana, contra a sedução dos ímanes judaico e grego.

terça-feira, agosto 06, 2024

Do jogo e do jogar: alegoria de um futuro mais humano

 

A história da relação entre o cristianismo e o jogo não será das mais positivas entre as que dois mil anos de muitos encontros e desencontros poderão contar.

O risco de a homenagem aos vencedores poder resvalar para um qualquer indisfarçável culto do corpo e a marca veterotestamentária de uma vincada recusa do culto idolátrico poderão ter contribuído, de forma profunda, para essa desconfiança.

Por contraste, contudo, poderiam ter-se encontrado, de modo semelhante, iguais motivos de desconfiança para com a comensalidade, mas tal não impediu que o banquete tenha sido, ao longo da história da salvação, uma das mais frequentes metáforas da relação entre Deus e a humanidade; ou para com o lugar do tálamo, desvirtuado, tantas vezes, por infidelidades e violências, sem que tal tenha obstruído a que Cristo pensasse a sua relação com a Igreja como a de um Esposo com a sua Esposa.

Não mereceu igual ‘oportunidade’ o jogo, porém. Uma rápida procura pelos textos bíblicos permitir-nos-á verificar que é palavra ausente da terminologia sagrada. ‘Jogar’ parece não fazer parte da relação entre Deus e o homem. Talvez disso já se tivesse apercebido o judeu (de nascimento) Einstein, ao reconhecer que ‘Deus não joga aos dados’. (Não era a isto que se referia, bem certo, mas à natureza ‘determinística’ e não aleatória da realidade, mas não deixa de ser interessante recordá-lo, nesta circunstância!)

Mas não será de se dar ‘nova oportunidade’ ao jogo?

O fundador do escutismo, Baden-Powell, percebeu-o, no já distante 1907, ao conferir ao jogo uma condição central na pedagogia do movimento por si fundado nessa altura.

Diz a história da recuperação dos jogos olímpicos que o próprio Pierre de Coubertin, que estudou num colégio jesuíta, se inspirou num livro escrito pelo padre dominicano e pedagogo Thomas Arnold para a criação dos jogos olímpicos da era moderna. Percebera o papel do desporto no desenvolvimento da pessoa e na sua integração na vida em sociedade e na compreensão de si mesma. 1500 anos depois, seria pela via da influência cristã que se recuperaria uma longa omissão da história (é preciso, bem certo, compreender a conotação que os jogos olímpicos tinham quando Teodósio os extinguiu, no século IV, sendo associados ao paganismo e ao culto idolátrico e politeísta. As circunstâncias político-sociais ajudam a compreender a determinação em pôr fim ao que simbolizava um passado de que se pretendia partir…).

Constatada, então, a utilidade e nunca suficiente tarefa de recuperar-se dessa história de desconfiança, ousemos fazemos uma ‘ludologia’, uma abordagem do jogo a partir da natureza que dele pode colher-se para a compreensão do humano mais profundo.

A procura do que define o humano e do que o distingue dos demais seres, em particular, dos animais, está, hoje, envolvida em enormes ambiguidades.

Recordo, porém, sempre, quando esta é a matéria em discussão, a constatação de Chesterton: ‘Aquilo que tem de ser explicado não é a semelhança, é a monstruosa escala da dissemelhança. Que o homem é parecido com os animais é, em certo sentido, um truísmo; mas que, sendo tão parecidos, eles sejam tão inconcebivelmente diferentes, isso é que é um choque e um enigma’. (Ortodoxia, Alêtheia, 2008, p. 205)

E, na minha perspetiva, se tivermos de procurar o que, de facto, nos distingue, teremos de o encontrar no que há de comum à sua capacidade de criar linguagem, de partir em busca do eterno, de ousar perdoar, de chorar diante de uma foto ou, simplesmente, de um nome, de criar um ritual e de o repetir, sucessivamente, com significado e comoção.

Entre todas estas ações, há algo em comum: a capacidade de ‘representar’ o ausente. A essa capacidade, que consiste em unir duas partes – uma ausente que se torna presente em algo distinto -, damos o nome de ‘simbologia’ ou, melhor, ao ‘algo’ que torna presente uma realidade ausente chamamos ‘símbolo’. Devemos esta palavra ao grego que, com o verbo ‘simballein’ (sün+ballein), quer dizer ‘lançar junto, em conjunto’, expressando a ideia de unir duas partes que estavam separadas. Curiosamente, o oposto é o verbo ‘dia+ballein’ (que exprime a ideia contrária de ‘atirar em separado’, ‘cindir o que está unido’ (‘quebrar o que está junto’), que deu, em português, o termo ‘diabo’.

Ora, o jogo é, pela sua natureza, uma representação. Torna presente uma realidade ausente. Representa a violência, através de ‘rituais’ que não são violência em si mesmos.

Recordo bem as palavras de um nosso selecionador, Luís Felipe Scolari, quando, no emotivo ‘Euro 2004’, se referia às fases de eliminatórias como sendo de ‘mata-mata’.

No futebol, pode dizer-se que há ‘mata-mata’, pois a ‘morte’ do adversário é puramente simbólica, isto é, está presente mas ausente; ou, melhor, está ausente mas presente, simbolicamente, apenas. O golo que derrota o adversário é ‘como’ lança cravada no seu peito. Mas não lhe é letal. No final, podemos abraçar-nos e ‘beber um copo juntos’.

É esse o poder do símbolo.

É esse o poder do jogo, enquanto realidade criada, única e singularmente, pelos seres humanos.

E é por isso, também, que, quando a violência deixa de ser simbólica e passa a real, o jogo deixa de o ser. (Aliás, confesso que sou um defensor de que não têm natureza de jogo aquelas modalidades em que o objetivo é deixar KO o adversário. A realidade representada deixa de ser re-presentada para passar a ser real. O símbolo extingue-se pela confusão entre o representante e o representado…)

Entusiasmados com estes rudimentos de ludologia, poderíamos arriscar pedir aos homens do poder que sonhem o mundo como um grande jogo e procurem resolver, num real tabuleiro de xadrez, os problemas de território ou de domínio. Se, afinal, ganhar uma guerra é uma questão de estratégia, melhor será o político que mantiver protegido o seu rei do xeque-mate adversário! E com muito menos custos de vidas humanas. Os peões tombados, que ladeiam o tabuleiro, podem voltar a erguer-se para novo jogo, em sucessivas batalhas e xeques-mates.

Não poderá erguer-se, porém, do campo real de batalha, cada soldado tombado e chorado. Porque a guerra não é um jogo!

quinta-feira, março 23, 2023

Caminhada da luz - JMJ Salreu | 21 de março de 2023 | Reflexões

 

Caminho com os símbolos da JMJ 2023

 (Reflexões escritas para a caminhada da luz, realizada na paróquia de Salreu, Estarreja, a pedido de um bom amigo.)

 

Primeira etapa da caminhada – Capela

Um símbolo reúne e agrega

 

Estamos a iniciar um caminho com os símbolos da JMJ.

Caminho… Símbolo… Jornadas Mundiais da Juventude…

Caminhamos não como quem erra, sem rumo, mas com um norte no horizonte. Esse norte expressa-se no poder dos símbolos.

Um símbolo é sempre algo que agrega, reúne, junta o que anda disperso. Em torno destes símbolos, quantas histórias, quantas esperanças, quantas lágrimas e alegrias!... Nisso está a sua força simbólica. São mais do que objetos: são sinais de vida!

As Jornadas Mundiais da Juventude são um encontro, uma reunião, um ponto de confluência, mas também um momento de partida, marcada pela renovação interior que se faz de uma alegria que se expressa no exterior.

E estas Jornadas são marcadas por um lema que vincula e projeta, recolhida do evangelista Lucas, o evangelista da misericórdia: «Maria levantou-se e partiu apressadamente»

Maria tem, agora, o nome de cada um de nós.

José, Miguel, Francisca, Marta, Joaquim… O nome de cada um de nós antecede esta mensagem: ‘Eu’ levantei-me e parti apressadamente.’

Não já como um eu solitário, mas como um ‘nós’.

Nós levantámo-nos e partimos, apressadamente.

Levantemo-nos…

Partamos…

Há pressa no ar!

 

 

Segunda etapa da caminhada –

 

Maria levantou-se…

Levantar-se é atitude nobre, digna, de quem não se acomoda.

Levantar-se significa não se aquietar e sossegar, diante dos desafios e das interpelações. Maria deixou-se incomodar.

Os nossos tempos estão marcados por tanta indiferença, insensibilidade, acomodação. Pedem-nos que nos levantemos, tomemos em mãos os sinais densos da esperança e os levemos diante de uma humanidade tantas vezes voltada para o chão, curvada e sem esperança.

Maria é modelo de uma mulher real, concreta, que, mesmo na sua fragilidade de grávida, não se centra em si, mas transcende os limites com que se confronta.

Levanta-se, impelida por uma força que a faz desassossegar-se. A força que, como um vento que agita, se faz fogo ardente no seu coração, desafiando-a a ir mais longe. É por isso que não apenas se levanta. Ela levanta-se e parte…

 

 

Terceira etapa da caminhada –

 

Maria partiu…

Não como quem anda sem rumo, mas certa de que alguém a esperava. Maria não parte para lugar nenhum. Parte para a montanha, esse lugar onde Deus tantas vezes escolheu revelar-se. O lugar que é, nesta hora, o sinal da fragilidade que precisa de cuidado, pois é o lugar onde está Isabel, a sua prima, que precisa de ajuda, por estar, também ela, grávida e em fim de tempo. Partir porque se está em fim de tempo. Maria parte porque sabe que o tempo é escasso e todo o cuidado é necessário e pouco. Maria parte porque não basta levantar-se, erguer-se de tudo o que prende os pés. É preciso andar, avançar, peregrinar, sair… partir!

E como é poderosa, hoje, a simbologia do peregrinar. O peregrino não anda errante; sabe que tem uma meta, um rumo, um horizonte. E sabe, também, que para poder fazer o caminho, só o essencial é importante.

Ah, como seria urgente redescobrirmos que a vida é uma peregrinação para nos voltarmos a centrar no que é importante, no que é fundamental, no que é essencial.

Tanta futilidade nos prende os pés e nos impede de partir! Tanta ambiguidade nos afasta da verdade! Tanto egoísmo nos centra no ‘eu’, ‘eu’, ‘eu’. Um ‘eu’ que não parte para lado nenhum pois está convencido de ser o ponto de chegada.

Mas Maria parte, pois ela sabe que o sentido da vida está em partirmos em direção aos outros e ao Outro que é Deus. E isso dá-nos a consciência de que partir não pode ficar para amanhã… É uma pressa. Partir deve acontecer apressadamente…

 

Quarta etapa da caminhada –

Maria partiu apressadamente.

A pressa de Maria não é a de um acelera. Um acelera deleita-se com o prazer da velocidade, mas esta não o leva para lado nenhum. Acelera porque quer sentir gozo.

A pressa de Maria não é esta.

A pressa de Maria não é a que vemos nos nossos tempos, em que os nossos encontros são encontrões; em que andamos, acelerados, pelas ruas, como corpos sem alma. A pressa de Maria é a de quem tem o fogo no coração, um fogo que se chama ‘amor’, o amor com que Deus se lhe apresenta, o amor que é um descentrar-se de si e um voltar-se, atento e cuidadoso, para o outro.

A pressa de Maria é a de quem tem muito para ouvir e muito para contar porque tem a alma cheia de amor. A pressa de Maria é a daquela que sabe que a vida é gratidão, porque recebida como dom. E é porque é gratidão que sempre a história cristã lhe deu o nome da ‘cheia de graça’, cheia de dons que a tornam grata, agradecida ao Senhor da vida.

A pressa de Maria é a do encontro entre a eternidade e o tempo. Não a de quem já não tem tempo nenhum, mas a de quem passou a ter todo o tempo do mundo para se dedicar aos outros.

 

Quinta etapa da caminhada –

Com Maria, rumamos às jornadas mundiais da juventude de Lisboa…

O convite está lançado. Todos estaremos em Lisboa, em Agosto de 2023. Uns estaremos de corpo e alma; outros estaremos de coração. Mas Lisboa será o ponto de congregação de todos os que sabem que os tempos que vivemos pedem que nos levantemos, partamos e o façamos sem demora.

Será um levantar-se, partir e apressar-se que renovará a realidade onde vivemos, em cada dia.

É que Maria era uma mulher real, concreta, que realizou este levantar-se, partir e apressar-se na Palestina de há 2000 anos, cuidando e acolhendo ali, na vida real e concreta em que Deus e humanidade se uniram de modo definitivo.

As JMJ são oportunidade única para renovar o coração de cada um e as comunidades que construímos.

Nestes tempos sem tempo para nada, em que tudo parece fútil e descartável, em que a dignidade humana parece ter-se feito lama, num chão de que teima em não erguer-se, o modelo de Maria faz-nos levantar (erguer, de novo, a dignidade que nos habita), partir (e não andar errante, sem meta nem rumo), apressadamente (e não de modo acelerado, mas com a ousadia de quem sabe para onde vai, porque uma Voz do alto chama no coração).

Há pressa no ar… Vê se já a sentes no teu interior ou se ainda dorme o coração que te preenche o peito.

'Os Sete Dias da Criação' |11| Luís M. P. Silva - 11 – O segundo dia… a preparar o terceiro!

  (‘Os Sete Dias da Criação’ | Rubrica dedicada ao diálogo entre ciência e religião) Artigo originalmente publicado na revista 'Mundo Ru...