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quarta-feira, maio 10, 2023

Um diálogo em condições...

 

Os nossos tempos têm medo… Medo de tudo, mas, particularmente, do outro, do diferente de si próprio. Temos medo daquele que vem de outro lugar, do que pensa de outro modo, do que crê de forma diferente… Por paradoxal que pareça, porém, muitos tomariam estas primeiras afirmações como defesa de um pronto acolhimento das agendas ditas ‘da diferença’. Há, contudo, que reconhecer que uma das maiores promotoras deste medo do outro, do diferente, é, entre outras, precisamente, a ideologia de género (e outras agendas agregadas) que promove um individualismo que fecha cada um em si mesmo, como que revisitando a régua de Protágoras e dando-lhe um novo sujeito: ‘o indivíduo é a medida de todas as coisas’…

Impõe-se, por isso, superar os medos, superar os individualismos enclausurantes, e partir em direção ao outro, ao tu, diante de quem nos definimos como ‘eu’.

A etimologia da palavra ‘diálogo’ ajuda a perceber o alcance desta minha última afirmação.

Uma etimologia fina do que nos diz a palavra ‘diálogo’ permite-nos concluir que ela afirma que a ‘palavra percorre um caminho que vai de um a outro sujeito’. Poderíamos traduzir a palavra ‘diálogo’ como ‘a palavra ao longo de, através de’, como que afirmando que existe uma ‘tensão’ natural, fundamental, que é condição para que a palavra se sinta atraída a sair de um e dirigir-se a outro.

À luz desta etimologia, percebe-se que, para haver diálogo, é necessário assegurar duas condições. Condições que, quando inexistentes, criam o cenário em que se representam os extremismos de direita ou de esquerda.

São essas condições as seguintes:

- Por um lado, diferença;

- Por outro lado, abertura.

Os tempos em que vivemos, radicalizados, polarizados, esquecem uma ou outra condição.

Ora afirmam que, em nome do ‘diálogo’ se fundam as identidades, se omitam as identidades, se neutralizem as identidades, como se tal assegurasse as boas condições para o diálogo. Nada mais errado. A ocultação das identidades impede o diálogo, funde as vozes num monólogo, redundando, por fim, na gritaria dos que elevam mais alto a voz.

Contra esta visão, deve afirmar-se a importância das identidades, da história, da memória, na linha, aliás, do que sustenta a nossa Constituição, quando se refere à natureza da relação entre Estado e Igrejas, e onde se evita uma ideia de laicidade compreendida como silenciamento das religiões ou neutralidade opaca do Estado. A nossa Constituição, ao evitar os termos ‘laico’ e ‘laicidade’ para definir a relação da III República com as religiões, foi sábia, pois compreendeu as lições da História e definiu que a República se relaciona com as religiões como parceiras e como cooperantes na construção da sociedade. A nossa Constituição defende a separação entre Estado e Igrejas, não em nome de uma indiferença e fusão de identidades (neutralizando-as), mas sim em nome da liberdade e identidade religiosa. Evita, com sabedoria, os erros da Constituição francesa que utiliza o termo ‘laica’, criando um problema com as religiões que, felizmente, Portugal não tem.

É esta sabedoria que deveria ter-se sempre que a matéria é diálogo e encontro de culturas. O diálogo não supõe, a esta luz, uma fusão, uma neutralidade das identidades, mas, antes, supõe-nas. Sem identidades, a palavra não percorre um caminho; antes, pára, estagna, não circula…

Este é o risco dos radicalismos de esquerda.

A outra condição é a abertura. Abertura que tem a consciência de que ninguém nasce de si, ninguém se gera a si mesmo, ninguém pode constituir-se como ‘eu’ sem ser diante de um ‘tu’.

O medo do outro, enclausurado numa máscara que faz dele sempre alguém sem virtudes, aprisiona e contradiz o axioma de que sem os outros nunca teríamos consciência de nós mesmos. É diante do outro que nos definimos e não sem o outro. O outro não deveria, por isso, suscitar-nos medo, mas gratidão. O outro é como que a nossa condição de possibilidade, pois, como tenho vindo a afirmar, repetidamente, a nossa liberdade não termina onde começa a do outro (como defendeu Herbert Spencer, preconizador do liberalismo clássico), como se o outro nos limitasse, nos oprimisse e fosse o impedimento para o nosso desenvolvimento, mas antes, a nossa liberdade só é efetiva se crescer com a do outro, se promover a do outro e só germina com a do outro.

O esquecimento disto é o erro dos extremismos de direita.

Radicalismos de esquerda, que fundem as identidades e as neutralizam, ou de direita, que isolam e fecham em si mesmos, esquecem uma das duas condições, absolutizando apenas uma delas.

Ao afirmarem essa condição, que pretendem proteger, parecem seduzir e atrair, mas é sempre bom lembrar aos que, entre os católicos, se identificam com o radicalismo de esquerda ou com o radicalismo de direita que o segredo da catolicidade está em não tomar apenas uma parte, como tantas vezes fizeram as ‘heresias’ (‘heresia’ quer, precisamente, dizer ‘escolha’, ‘opção’, ‘parte’). A verdadeira sabedoria católica está em não ficar com uma parte: é preciso tomar o todo.

E assim haverá um diálogo em condições… Todas!

quinta-feira, março 19, 2020

O individualismo morreu com a Covid-19


O individualismo é uma ilusão. E como, habitualmente, grandes ilusões redundam em maiores desilusões, não se espere melhor fim para esta. Não sem, antes, porém, muitos estragos ter feito pelo caminho.
Esclareçamos o conceito. Deixemo-nos, para tal, levar pela mão de Roque Cabral, que, na enciclopédia de filosofia, Logos, define ‘individualismo’ como ‘grande variedade de atitudes, doutrinas e teorias […] as quais apresentam a nota comum da sobrevalorização do indivíduo‘ e acrescenta que se trata de ‘uma conceção da vida em sociedade [que] resulta de uma inaceitável e mutiladora conceção do homem como ser associal ou antissocial, anterior à sociedade e concebível sem ela; a qual, por sua vez, é concebida como pura soma de indivíduos, sem outra realidade além destes e por eles criada’. (Cfr. Roque Cabral, ‘Individualismo’ in Logos 2, 1408-1409).
As manifestações desta conceção, desta cosmovisão, são múltiplas, da economia à política, da moral ao lazer, etc… No próprio dizermo-nos se expressa esta leitura da existência. Quem nunca ouviu e reproduziu a afirmação de que ‘a minha liberdade termina onde começa a do outro’, sem, porém, se interrogar sobre o real significado de tal proposição? Quando seríamos mais livres? Quando o outro estivesse diminuído na sua ‘liberdade’ e, no limite, quando ele desaparecesse! Nesta afirmação expressa-se o pensamento do seu criador, Herbert Spencer, um dos preconizadores, durante o século XIX, do liberalismo clássico, defensor de um ‘ideal [que] convergia para uma sociedade onde o indivíduo fosse tudo e o Estado nada’ (Acílio da Silva Estanqueiro Rocha, ‘Herbert Spencer’ in Logos 4, 1279-1288).
Mas, mais do que denunciador de um insuperável antagonismo entre indivíduo e Estado, o individualismo expressa uma visão de que possa conceber-se a existência de cada um de nós sem os demais.
Aliás, um dos muitos pecados da afirmação acima recordada está, precisamente, no entendimento de que as liberdades individuais sejam realidades fechadas sobre si mesmas, concebíveis em antagonismo com os outros. Nada mais errado!
Nenhum de nós pode conceber-se sem os outros (pense-se no fenómeno da própria autoconsciência que é impossível sem o trabalho de a despertar que os outros têm. Nenhuma criança teria, algum dia, consciência de si mesma sem a ação dos outros humanos. Assim, também, no âmbito biológico ou económico ou qualquer outro…). Não nos podemos pensar sem a ação dos outros. O que é, afinal, a cultura senão a partilha do que é cultivado por uns e outros, que recebemos e transmitimos? Não há liberdades fechadas. Não se pode conceber a liberdade sem a interpenetração na liberdade dos outros. Ser livre é realizar-se como humano, é estar em condição de incompletude, escolhendo, sempre, de entre várias possibilidade em aberto, envolvendo, não apenas a vontade (um dos outros erros da conceção de liberdade do individualismo: reduz a liberdade ao voluntarismo, como mera ação da vontade, do querer…), mas também o afeto e, principalmente, a inteligência. A liberdade não é, primeiramente, um ato da vontade: é, antes, ato de um ser racional e intrinsecamente relacional. Não há liberdade onde não houver esta racionalidade e relacionalidade.
E foi isso que a pandemia da Covid-19 veio demonstrar, cabalmente. Não vivemos sós e podemos ter de decidir que, pelo nosso bem e pelo bem dos outros, devamos submeter a nossa vontade ao que lhe impõe a inteligência. E isso é ser livre! Não à maneira individualista, bem certo, mas numa visão humanista e personalista que só pode ser, também, intrinsecamente, comunitarista, que não comunista. Curiosamente, Roque Cabral recorda, na mesma entrada da enciclopédia Logos, que, por influência do anarquismo, o socialismo afirma o papel do Estado, mas também não ficou imune à influência nefasta do individualismo. Poderemos acrescentar que, de forma simétrica, também os movimentos ditos conservadores não souberam imunizar-se contra esta nefanda influência, ao acolherem o liberalismo na economia.
Talvez a universalização de um vírus tão pequeno quanto potente possa despertar deste torpor coletivo que, pela esquerda e pela direita, nos ilude e encaminha para a desilusão.
Nada somos, sozinhos! Um grito no vazio. Mas quem poderá ouvir o nosso clamor?
Que não nos esqueçamos, quando estivermos a decidir, depois de passada a borrasca, que ninguém decide sozinho, que não se vive sozinho, que não se morre sozinho… que somos, sim, um ser relacional, intrinsecamente ‘tus’ diante de outros ‘tus’, em cujo face-a-face se gera o eu que é cada um de nós. Mas é o ‘tu’ que gera a consciência do ‘eu’.
É já cadáver a ilusão de só a nós dizer respeito o que nos ocorre ou de ser 'lá da conta deles' o que acontece com os outros.
Até quando, porém, continuará a sentir-se o seu odor fétido de ente apodrecido?
Como pudemos andar tão solitariamente distraídos?

quinta-feira, maio 31, 2018

Esta liberdade que nos aprisiona - Eutanásia: guia sobre como seremos manipulados até nos vencerem pelo cansaço


O Parlamento recusou, por curta margem, a legalização da eutanásia. Como muitos já deram a entender, trata-se, apenas, de um «até já». Não, seguramente, um «até já, camaradas» porque o PCP, numa demonstração surpreendente de sensatez, afirmou, de uma forma clara, perentória e sem motivações meramente conjunturais, que «a oposição do PCP à eutanásia radica na ideia de que o dever indeclinável do Estado é mobilizar os avanços técnicos e científicos para assegurar o aumento da esperança de vida e não para a encurtar».
Tal decisão do Parlamento não nos deve, por isso, sossegar e aquietar. «Nos» refere-se, aqui, a todos os que se reconhecem na afirmação lapidar da Constituição da República Portuguesa de que «a vida humana é inviolável».
E não nos deve aquietar por duas ordens de razão: por razões de fundo e por razões que se prendem com o desrespeito dos que, agora, viram goradas as suas expectativas de fazer passar uma lei que não estava sufragada pelo povo.
As razões de fundo prendem-se com uma certa visão da liberdade, associada a um mítico complexo de inferioridade que vem tomando conta da nossa classe cultural e política. Tal visão de liberdade é de matriz individualista, encontrando como um dos seus mais frequentes aforismos aquele que se reproduz até à saciedade, mas em que raramente se pensa: «que a minha liberdade acabe onde começa a do outro». Esta ideia, nascida do pensamento de Herbert Spencer (1820-1903), sustentava que a sociedade existe para os indivíduos e não o contrário. A ideia central de tal conceção é a de que somos, primeiramente, seres individuais e só secundariamente seres relacionais. Uma ideia que consuma a convicção cartesiana de que a primeira coisa de que temos consciência e certeza é de nós próprios. O que a própria psicologia, hoje, demonstra ser errado. Aquilo de que, primeiro, temos noção e consciência é dos outros. Só numa fase posterior é que, da visão e consciência dos outros, chegamos à consciência de nós. Por isso, não é verdade que as nossas liberdades se limitem; antes, as liberdades projetam e potenciam outras liberdades. Na visão de Spencer, se a nossa liberdade acaba onde começa a do outro, então, só seríamos verdadeiramente livres quando os outros deixassem de existir. E isso, como facilmente concluiremos, é o fim da vida em sociedade. Como aliás, preconizava, implicitamente, o autor da frase que tantos insistem em repetir.
Mas é, de facto, a ideia errada de liberdade que está na causa de decisões como a que se esteve a um passo de dar no nosso Parlamento. A liberdade entendida como mero exercício e ação da vontade sem limites. Dois erros se vislumbram nesta ideia de liberdade como ação da vontade sem limites: o primeiro é o que reduz a liberdade a ato voluntário. E onde estaria a inteligência num ato livre? Silenciada? Pois bem, a liberdade é, muito mais um ato da inteligência do que um ato da vontade. Por exemplo, um toxicodependente procura, voluntariamente, a droga, mas, poderá alguém, sensatamente, considerar esse um ato livre? É um ato voluntário, mas não livre. Para ser livre tem de contribuir para a realização do humano que há em nós e não para a sua opressão e destruição. A esta luz, o suicídio é um ato voluntário, mas não um ato livre. É decidido com base num desejo ou na ação voluntária, mas não discernido por uma inteligência sóbria e lúcida.
Para além deste primeiro erro verificável nesta conceção, há um segundo a registar: toda a ação humana está condicionada; não é, por isso, sem quaisquer limites. Supor a inexistência de limites e, por isso, a possibilidade de uma vontade (que já vimos não ser equiparável a ato livre) sem condicionamentos é um dos ‘pecados originais’ de tal conceção. Todo o ser humano é, contrariamente, a esta conceção, situado, condicionado, concreto e marcado pela sua própria história. Mas querem alguns preconizadores da total disponibilidade da vida pela ‘liberdade’ supor um homem sem condicionamentos. Um erro fatal e que nos tem conduzido a convicções que só aprisionam. Como pode ser livre um ato que redunda no fim da própria liberdade? É um paradoxo e um absurdo.
Esta é, no meu entender, a razão de fundo para não nos podermos aquietar. Muitos pensam a liberdade assim e tal conceção, profunda já na cultura de elite deste país, vai continuar a germinar e favorecer o fim dos laços entre as pessoas que fazem a sociedade.
Há, a somar a esta razão de fundo, uma outra, de ordem conjuntural. A nossa imprensa de grande tiragem é, na sua grande maioria, marcada por esta cultura, que poderíamos designar como decadentista. E, por sê-lo, não irá sossegar enquanto, por cansaço, não vencer os agora vencedores. Assim aconteceu entre 1998 e 2007. Enquanto não se tomou a decisão que a dita grande imprensa, manipulada e manipuladora das massas, pretendia, esta não deixou de veicular meias verdades, informações deturpadas, suposições, utilizando estes e outros meios, de modo a conduzir à criação de predisposição para se aceitar aquilo que, genuinamente, não se pretendia.
Nunca o escrevi, mas não resisto, neste contexto, a contar como li essa fase da história da imprensa portuguesa. Fui, durante muitos anos, um leitor atento e regular de meios de comunicação a que reconhecia mérito: o Público e a revista Visão. O Público era, para mim, um jornal que não dava só as notícias. Situava, explicava, contextualizava. Recordo-me de, em 11 de setembro de 2001, quando vi o segundo avião colidir com as Torres Gémeas, ter comentado que tal era ação do Bin Laden. Nenhum dos que me acompanhavam tinha, até esse dia, ouvido falar de tal homem. Eu sabia ser o homem mais procurado pelos Estados Unidos porque o Público mo dissera. Porém, com o aproximar do referendo de 2007, dei-me conta de como este jornal que eu tinha por digno e honesto servira a causa da legalização o aborto, manipulando dados e fazendo manchetes com informações que a secção ‘o Público errou’ (pequena e pouco lida) desmentia, no dia seguinte. Senti-me manipulado e instrumentalizado. Deixei de ler o Público e passei a ser um crítico da forma como se faz a comunicação social, em Portugal. Esta era, para mim, a imagem de uma imprensa que, sob a capa da neutralidade, servia interesses que eu presumia, mas que sabia bem ocultos e disfarçados.
O mesmo se passou com a revista ‘Visão’, que cheguei a assinar, mas que deixei de assinar e ler, após verificar que adotava uma atitude frequentemente anticatólica, verificável na nota irónica como comentou, num momento em que a ONU recusara a clonagem humana, que «a maioria dos países da Onu são de influência católica», como que afirmando que a esses ‘malvados dos católicos é que se deve não haver progresso’. Confesso que me senti e ‘quem nãos e sente…’. E reconheci que, como afirma Fernando Pessoa, tinha a legitimidade e o quase dever de dar seguimento aos seus versos que dizem ‘que prazer ter um livro para ler e não o fazer’. O poder que eu tinha, enquanto leitor, era o de deixar de o ser quando me sentia desrespeitado.
Ora, estamos, agora, a iniciar um novo momento como esse que decorreu entre 1998 e 2007. É, por isso, hora de não deixarmos que o fim seja o mesmo. É hora de aguçarmos o olhar perante a manipulação de dados a que vamos passar a assistir. À reiterada informação de que portugueses foram ou irão pedir a eutanásia a outros países. Ou à repetida ideia de que outros já têm e Portugal não tem. Ou à manipulação de que os Bispos são contra, mas o povo e os bem-pensantes católicos são a favor (aliás, o mesmo Público fez uma manchete, no dia 28 de maio, merecedora de repreensão e profunda crítica, podendo ser descrita como um ato de malvadez e manipulação gratuita…), com o intuito de criar a convicção de que há duas Igrejas a falar sobre estas matérias.
Este é o tempo da inteligência e da sabedoria. Este é o tempo de não nos deixarmos manipular. Este é o tempo de continuarmos a afirmar que, a não ser que haja, entretanto, queda de regime, a nossa Constituição continuará, clara e firmemente, a afirmar que «a vida humana é inviolável».
Este é, também, para os cristãos, o tempo de reconhecer que a Política é, verdadeiramente, lugar de ação e missão. Para que não venham outros obrigar a aceitar que a fragilidade e a doença diminuem a dignidade da vida.

E ao pó hás-de voltar… Não às cinzas estéreis e anónimas.

  Há uma sabedoria profunda, verdadeiramente divina, no ato de inumar o ‘corpo’ morto, de o devolver ao regaço adâmico de que proveio. Mas u...