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quarta-feira, setembro 25, 2024

‘Regresso a Ítaca no sonho do Éden’ | 23 | Némesis e moiras – a desmesura e o destino perante a graça e o perdão

 

Artigo originalmente publicado na revista 'Mundo Rural'

Luís Manuel Pereira da Silva*

Ulisses está no seu demorado processo de regresso. Há, nele, um profundo desejo de chegar à casa donde partiu há já demasiado tempo. Desejo que o habita e ‘arrasta’ como uma ausência a necessitar de ser preenchida. Sobre ele refletiremos, no último capítulo deste já longo ‘regresso a Ítaca no sonho do Éden’. É um desejo que se expressa como ânsia de «regresso a casa», uma ‘nostalgia’ persistente e omnipresente desde a partida feita desejo de chegada. Nela se unirão ‘regresso’ (a Ítaca) e ‘sonho’ (do Éden).

Mas ainda nos cabe enfrentar o motivo profundo pelo qual temos de voltar a partir de Ítaca, mas desejando regressar, já não a ela, mas ao Éden, que nos toma a alma como saudade e genuína nostalgia.

Ulisses é um herói, bem certo, mas um herói à maneira grega. A visão é trágica, porque, nela, dominam o limite intransponível e a sombra da maldição de nada ser ou eternamente ficar abandonado por em algum momento se ter transgredido o estabelecido.

A tentação desta leitura não está ausente da receção do cristianismo, entre o povo. Mas não é a marca definidora do ser cristão.

Expliquemo-nos…

No espírito grego, não há lugar para a ‘surpresa’, para a ‘graça’, o ‘não previsto e previsível’. Tudo é destino (moira) e determinação do limite (Némesis). O ser humano está determinado a cumprir o traçado que lhe coube em sorte. A transgressão é certeza de custo previsto.

Maria Helena da Rocha Pereira recorda-o ao analisar a história de Medeia que quer de Creonte muito mais do que uma promessa. Quer ‘um juramento formal, com a invocação precisa dos deuses envolvidos no ato, que comprometa de forma irreversível quem o presta, formule as suas obrigações e anteveja os castigos da transgressão’ [1]. Não há lugar para o inesperado. No espírito grego, tudo é previsível, antecipável e quem comete a ousadia da desmesura, submete-se à consequência esperável. Cruzam-se, nesta síntese, dois vetores que, sendo, originalmente, abstrações, se ‘personificam’ em figuras míticas: por um lado, a irrevogabilidade do destino de cada um, na ideia das ‘moiras’ ou, na redação proposta por Pierre Grimal [2], das ‘meras’, o quinhão, a parte que cabe a cada um cumprir (de felicidade e infelicidade); por outro, a ‘vingança dos deuses’, representada na ideia e na figura da Némesis, cuja representação mais famosa é a que se encontra em Ramnunte. Aqui, numa estátua hoje mutilada, representava-se uma deusa com uma arranca de maçã e um figo, e terá sido esculpido por Agoracritus, um aluno de Fídias, por volta de 430 a.C. É curioso que o figo e a maçã sejam elementos ilustrativos desta figura mítica, evocando a simbologia transcultural a eles associada. Como não recordar a interpretação do fruto proibido como sendo uma maçã (apesar de o texto bíblico não suportar essa conclusão) ou a referência à figueira como uma árvore amaldiçoada, talvez em virtude da ‘traiçoeira’ fragilidade da sua madeira, incapaz de suportar, demoradamente, o peso de um homem?

O mesmo Pierre Grimal dá suporte a esta nossa interpretação, ao recordar que as Meras ‘não têm uma lenda propriamente dita. Não são mais que a simbolização de uma conceção do mundo semifilosófica, semi-religiosa’[3], a qual, como fomos evidenciando, ao longo deste ‘regresso a Ítaca no sonho do Éden’, se mostra ora convergente, mas maioritariamente divergente do genuíno espírito cristão.

Neste, com efeito, se foram sobrevivendo, aqui e ali, marcas desta visão trágica e fatalista (de que o predestinacionismo calvinista será uma das maiores expressões), terá de ser reconhecido como tendo contribuído para emergir, no mundo, um outro olhar, em que há espaço para a ‘surpresa’, a ‘novidade’, o ‘gratuito’ (porque dado por ‘graça’), e, por isso, a possibilidade do perdão.

Esta nossa reflexão permite-nos ousar depreender na frequentemente evocada conflitualidade entre cristianismo e ciência um equívoco que nascerá destas duas visões retratadas, ao longo da reflexão feita em ‘regresso a Ítaca…’. O real ‘conflito’ não é entre cristianismo e ciência, mas entre uma visão ‘determinista’ e uma outra em que continua a haver lugar para a liberdade, para o rompimento de toda a previsibilidade e irrevogabilidade.

No limite, na visão grega, até os deuses estão submetidos às Meras. ‘Impessoal, a Mera é tão inflexível como o destino: encarna uma lei que os próprios deuses não podem transgredir sem pôr em perigo a ordem do mundo’[4], sendo que deles pode esperar-se, inclusive a vingança e sérias represálias: ‘tudo o que se eleva acima da sua condição, no bem como no mal, expõe-se a represálias dos deuses’[5].

Numa canção sobejamente conhecida e replicada de título ‘Némesis’, o cantor Clementine recorda que ‘Nemesis is, is the mother of karma’ (‘Nemesis é a mãe do Karma’), replicando uma intuição interessante e nem sempre constatada: de facto, é preciso esperar pelo judeo-cristianismo para encontrar a ideia de perdão que, fora deste registo, está sempre ausente. ‘Karma’ evoca a matriz oriental, explicitada na visão hindu.

Bono Vox, o vocalista dos U2 recorda, numa muito interessante entrevista dada a Michka Assayas, que ‘no centro de todas as religiões há a ideia de Karma. Vê bem, aquilo que fazes volta para ti: olho por olho, dente por dente, ou, na física – nas leis físicas – a cada ação equivale uma igual ou oposta. É claro para mim que o Karma está no centro do Universo. Tenho a certeza absoluta. E ainda assim, aparece igualmente este conceito de Graça para dar a volta a tudo isto «Como colhes, assim terás de semear». A Graça desafia a razão e a lógica. O amor interrompe, se quiseres, as consequências das tuas ações, o que, no meu caso, é, na verdade, muito bom, porque eu fiz muitas coisas estúpidas.[6]

O leitor atento poderá contestar-me que também a bíblia está cheia de ‘maldições’ e ‘fatalismos’. Mas não deixará de surpreender que o último livro, também ele tantas vezes lido sob um registo de mais um vademecum de maldições, termine com a esperança de que ‘A graça do Senhor Jesus esteja com todos vós.’ (Ap 22,21), depois de assegurar que a esperança definitiva será em relação a um lugar onde ‘E ali nunca mais haverá nada maldito.’ (Ap 22,3)

E erraria quem se agarrasse ao literalismo das frases. Todo o livro é uma ode à esperança, à graça, à surpresa da vitória do amor sobre os determinismos e fatalismos: «Não tenhas medo! Eu sou o Primeiro e o Último; aquele que vive. Estive morto; mas, como vês, estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da Morte e do Abismo!», sendo que não é despiciendo que se evidencie estarem superados os limites do espírito grego refazendo o discurso grego com um novo alfabeto que, em Cristo, a pura Graça de Deus, encontra o novo ‘alfa’ e ‘omega’ dos novos discursos…



[1] Maria Helena da Rocha Pereira, Estudos sobre a Grécia Antiga: Artigos, Coimbra, Fundação Calouste Gulbenkian e Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014, p. 368.

[2] Cfr. Pierre Grimal, Dicionário da mitologia grega e romana, Lisboa, Antígona Editores Refractários, 2020, p. 306.

[3] Pierre Grimal, op. Cit., p. 306.

[4] Pierre Grimal, op. Cit, p. 306.

[5] Cfr., Ibidem, p. 326.

[6] Michka Assayas e Bono Vox, Bono por Bono, Lisboa, Editora Ulisseia, 2005, p. 227.

terça-feira, abril 27, 2021

O perdão redime a ‘trágica’ existência humana

 

(Amigo/a leitor/a, convido-o/a a olhar, com atenção, a imagem que ilustra este texto 

[Pode encontrá-la aqui: https://angelusnews.com/wp-content/uploads/2019/09/3dhgsq1dr_Pope_Feature_1_.jpg]. 

Observe-a, com cuidado, e procure interpretá-la. Sugiro que, só depois de o fazer, inicie a leitura…)


O mundo tem grande dívida para com o cristianismo. Dívida que vai muito para além de todo o impacto visível em obras arquitetónicas, literárias, pictóricas ou outras igualmente observáveis e mensuráveis. Há dívidas que não se podem pesar, calcular e medir. Escapam e são de uma enorme densidade e profundidade. Mas, entretanto, demorará até que reconheça quanto lhe deve, de facto.

Antes de me adentrar no que pretendo aqui analisar, deixo uma sugestão de leitura. ‘O que a civilização ocidental deve à Igreja Católica’, de Thomas E. Woods, Jr (Ed. Alêtheia), é um livro de justiça. Não é um livro de direito. Nem por sombras. É um livro de justiça, isto é, trata-se de uma obra que faz justiça. Costumo sugerir, com ironia, que deveria ser colocado, nas livrarias, na secção de finanças, dado que contribui para se perceber como saldar parte da dívida (enorme!) que o mundo tem para com o Cristianismo.

Feita esta sugestão, regressemos à linha que vínhamos seguindo.

 

‘Pessoa’: uma das dimensões da dívida

Há, de facto, nessa dívida, dimensões que escapam à mensurabilidade. Entre elas, está, por exemplo, o conceito de pessoa. ‘Pessoa’ é um conceito que nasce no contexto das discussões sobre a natureza trinitária de Deus. Não servindo a ideia de ‘indivíduo’, a teologia trinitária forjou o conceito que permitisse evidenciar, por um lado, a dimensão ‘individualizante’, mas sem que tal significasse que Deus era, então, três ‘indivíduos’. Era preciso um conceito que salvaguardasse a identidade sem a isolar e sem a conceber fechada em si. O conceito de ‘Pessoa’ foi o que, resultando de prolongada reflexão, permitiu dizer que Deus é diverso, em si, sem que tal signifique que cada ‘parte’ da diversidade possa pensar-se sem ser em relação com a unidade e a relação. Pessoa diz, precisamente, a identidade que se define na relação e no encontro diante do outro. Deus é Pai no preciso ‘momento’ em que gera o Filho e, no preciso ‘momento’, também, em que a ‘geração, no amor, se possibilita. Desta forma muito plástica descrevemos a densidade que nos possibilita o conceito de ‘Pessoa’.

 

Da visão trágica à confiança no perdão

Mas ainda não chegámos ao núcleo do que pretendemos, nesta reflexão.

Há, sem dúvida, a dívida da arte, da cultura, dos conceitos, mas, antes, durante e depois de todas estas, há a dívida sobre o modo de olhar a existência.

Para percebermos esta dimensão da ‘divida’, importa recordar como era ‘trágica’ a visão que antecedeu a emergência da visão cristã.

Recordemos que a expressão pública e reconhecida do cristianismo só começa a operar-se, de forma definitiva, a partir do ano de 313, ano do édito de Milão que, pela ação do Imperador Constantino, possibilita que o império romano tolere esta nova religião.

Até aí, a visão vigente era a que conformara o ocidente, por influência da visão grega, chegada pela mão dos romanos.

 

A visão trágica dos gregos

E o que nos evidenciava essa visão?

A vida era, na visão grega, tragédia, fundamentalmente, tragédia. Tragédia que se tornava visível na convicção de que, acima dos próprios deuses estava a ‘moira’, o destino (o ‘fatum’ que deu, em português, a ideia de ‘fado’ – destino; ideia presente na palavra ‘fatalidade’). Os próprios deuses estavam submetidos à força de um destino impessoal, cruel, sem piedade…

Tal conceção é particularmente expressiva e densa nas célebres tragédias dos grandes autores clássicos. Entre elas, podíamos recordar a história do Rei Édipo, mas pretendemos incidir o nosso olhar na história de Antígona, uma história que bem conhecem os alunos de Educação Moral e Religiosa Católica, a quem ela é apresentada, na unidade de ‘Política, ética e religião’: um serviço inestimável que a Igreja Católica presta à educação, em Portugal.

O que nos diz a história de Antígona?

O rei Creonte proíbe esta filha do incestuoso casamento de Édipo com Jocasta de enterrar um dos dois irmãos (Etéocles e Polinices) que se tinham combatido um ao outro até à morte. A Etéocles, o rei Creonte oferece honras fúnebres majestosas, mas decide que Polinices seja deixa insepulto. Antígona opõe-se a esta decisão de Creonte, que era seu tio, e enterra, obedecendo ao que lhe impunha a sua consciência e o seu dever religioso. Após fazê-lo, suicida-se, sendo que nos diz a trama trágica que, entretanto, Creonte tinha desistido da decisão e mandara um mensageiro comunicar-lho. Tarde demais…

Assim é, em tantas das tragédias gregas. O destino fora mais forte do que a compaixão.

Esta não é a visão cristã sobre a existência.

 

O perdão e a graça é que redimem

No centro da visão cristã, está o perdão que encontro plasticamente representado numa obra que convido o leitor a observar com atenção.

Refiro-me a um capitel de uma coluna da Basílica de Santa Madalena, em Vezelay, uma igreja do início do século XII.

Um olhar atento deste capitel permite-nos ver, do lado esquerdo, um enforcado. (Aparentemente, de novo, a dimensão trágica da existência…) Porém, o capitel reserva-nos uma surpresa, do lado direito.

Na verdade, facilmente reconhecemos, no enforcado, o traidor Judas, aquele que entregou Jesus Cristo.

Mas o lado direito evidencia-nos a dimensão redentora com que o Cristianismo olha a existência. Ali, o enforcado é levado aos ombros… de Jesus Cristo. No levar aos ombros aquele que o entregou à morte, mostra a densidade do amor de Jesus Cristo. Recordo-me de, na década de noventa, ouvir da boca do sr. D. Manuel de Almeida Trindade, meu bispo e padre conciliar, o espanto ao constatar que, ao longo da história, nunca a Igreja ter ousado dizer que alguém, em concreto, estava em Inferno ou tinha sido abandonado por Deus. Dizia-me o sr D. Manuel: ‘Repara, Luís, que a Igreja sempre nos apontou o exemplo de Santos, mas nunca nos disse que este ou aquele em concreto não podia participar da felicidade eterna de Deus.’

O perdão é, com efeito, a resposta à dimensão aparentemente trágica da existência, pois, a Fonte donde tudo provém é Amor. Não apenas ‘tem’ amor; É amor. E se é amor, então, o limite, a fragilidade, a vulnerabilidade, são assumidos e redimidos, para sempre, dando-nos a certeza de que a Vida é mais forte do que a Morte. Como pode concluir-se da leitura de uma recente obra sobre ‘o sofrimento de Deus’, da autoria do Pe. Rui Mendes de Sousa, a resposta ao sofrimento do mundo está na certeza de que a ‘Paixão de Cristo é efetiva compaixão de Deus’.

E como poderiam recusar perdoar os que sabem que o mundo nasce do amor que perdoa?

(Artigo publicado na revista 'Mundo Rural)


sexta-feira, maio 23, 2014

Os números do aborto - depois de 2007, todos somos sobreviventes

Na minha rua, existe uma casa sem janelas. E as portas, disfarçadas com a cor da madeira que as envolve, até essas parece não ter. Um perfeito castelo inexpugnável.
Em cada manhã, na rotina do rumo diário que me leva ao trabalho, rotina que me liberta o pensamento, olho para aquela casa como metáfora. Metáfora densa, mas interpelante.
Na verdade, vivemos como se a moradia que é a nossa vida não tivesse rua e ninguém nela se passeasse. Parecemos padecer de uma doença de nome «isolite».
Um dos mais dramáticos sintomas desta doença, a «isolite», doença dos isolados do mundo, é a já habitual comunicação dos números do aborto que, por esta altura, a direção geral de saúde faz sair a público. Em 2013, os registos guardaram a dolorosa referência de 17414 abortos realizados a pedido da mulher, representando 97% do total de abortos realizados em Portugal. Reunidos números, desde 2007, data da realização do referendo de 11 de fevereiro, atingimos a incrível cifra de 119077 abortos realizados a pedido da mulher. Os dados permitem, ainda, verificar que 27,8% dos abortos praticados são repetidos, consolidando a convicção de que esta é uma prática que vai sendo adotada como se de um contracetivo (pós-concetivo, bem certo!) se tratasse.
A cadência da informação, comunicada ao ritmo dos tempos de um compasso binário (dado que há, todos os anos, duas comunicações de números, pois são sempre revistos em alta, lá mais para final do ano), vai gerando na sociedade uma insensibilidade perigosa. Faz lembrar as oportunas palavras atribuídas ao Pastor protestante Martin Niemöller: "Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse."
O desafio que estas palavras de Niemöller encerram faz-nos tomar consciência de que, de algum modo, todos os nascidos depois de 2007, em Portugal, podem reconhecer-se como «sobreviventes». Como se de uma batalha se tratasse, com a incrível característica do protagonista de «crónica de uma morte anunciada». Tal como este, todos sabem qual o seu destino fatal, mas ninguém parece capaz de o contrariar. Como se fosse uma incontornável predestinação que ninguém deverá ousar alterar.
Contudo, porque não somos personagens de um romance de Gabriel García Marquez, o fatalismo pode ser contrariado, porque os valores em causa se impõem.
A distância em relação à vozearia que rodeou o referendo permite encontrar o afastamento suficiente para percebermos, hoje, de modo não ideológico que o que está em causa é um sofisma de pensamento que pareceu confundir o direito a autodeterminar-se com direitos de alguém a exercer a violência sobre outro. Pois é de violência que se trata. Da violência de quem deve proteger sobre o seu protegido. E da sociedade que abandona quando mais deveria acolher.
O desafio continua, portanto. O de revalorizarmos a maternidade, de a reconhecermos como um direito e um dever e de a protegermos como um bem escasso. E, enfim, de não nos deixarmos adormecer, aceitando que vão sendo levados, um a um, os que nada parecem dizer-nos porque nem sequer sabemos como seriam nem como se chamariam.

Infelizmente, a casa da metáfora inicial é real. Existe mesmo e continua a recordar-me, em cada manhã, que também a «isolite» continua a propagar-se. Uma doença cuja cura depende do doente. O fármaco mais eficaz terá de se procurar entre as teias da sensibilidade ética, com características opostas ao dos sedativos. Só se curará dela quem se mantiver desperto e não se deixar adormecer.

'Os Sete Dias da Criação' |11| Luís M. P. Silva - 11 – O segundo dia… a preparar o terceiro!

  (‘Os Sete Dias da Criação’ | Rubrica dedicada ao diálogo entre ciência e religião) Artigo originalmente publicado na revista 'Mundo Ru...