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quinta-feira, março 19, 2026

Os carros, na Polónia, não têm buzina: ecos de uma visita a Cracóvia e Auschwitz

 

Acabo de regressar de visita de estudo à Polónia.

(Não pretendo, porém, fazer deste um texto de literatura de viagem. Antes, uma espécie de página rasgada de um diário de memórias…)

Ir aos locais confere-nos experiências que nenhum livro (apesar de os ter como meus fiéis companheiros) poderá, alguma vez, replicar ou substituir. Os cheiros, os ritmos, a língua falada, os tempos e os modos, são irreplicáveis.

Curiosamente, porém, o odor, esse sentido que logo coloco em alerta quando me desloco a um novo destino, desta vez, foi escassamente convidado a manifestar-se. O tempo de inverno adormece as flores e anoitece os alvoreceres perfumados.

Mas muito havia a descobrir, para além do que nos reserva o olfato, esse sentido tão carnal e corpóreo que nenhuma inteligência artificial ousará replicar.

Fui a Cracóvia e a Auschwitz. Reservarei, para um segundo momento, a emoção deste lugar singular. Deter-me-ei, primeiramente, nas impressões de Cracóvia.

Levava-me a expectativa de ver quanto de S. João Paulo II se guarda, na memória dos lugares daquela cidade.

Percebe-se que, Cracóvia, tendo no seu histórico cidadão mundial, o arcebispo Karol que, um dia, chegou a Sumo Pontífice, talvez o seu mais reputado e amado cidadão (ainda que tivesse nascido em Wadowice), a profundidade da fé católica, que define a genética daquele povo, suplanta a densidade da importância de uma só pessoa. Surpreende perceber-se a catolicidade de que se faz aquela cidade. Uma catolicidade que se torna efetiva na capacidade de universalidade que se vislumbra na importância do seu rei herói, o grande monarca Casimiro, aquele que soube acolher os abandonados desses tempos, entre eles, os sempre rejeitados judeus. Será, aliás, dessa memória que falarão os que sumamente os quiseram extinguir, os nazis. Numa tristemente célebre cena evocada no ímpar filme ‘Lista de Schindler’, Amon Goeth, o terrível chefe do campo de concentração de Plaszow, quando se preparava para esvaziar o gueto de Cracóvia (também ele um lugar visitado em dia de comemoração dos 83 anos do seu encerramento – uma coincidência que nos permitiu assistir às cerimónias adiadas por um dia, por motivo de, na efetiva data, ser Sábado – dia sagrado para os judeus) recorda que Casimiro, o Grande, dera aos judeus a liberdade que ele, Amon, se propunha, agora, extinguir para sempre. E perto estiveram os nazis de o conseguir.

Dessa terrível, temível e hedionda eficácia fala Auschwitz-Birkenau… A esse lugar ‘não-lugar’ regressarei, mais adiante.

Volto a Cracóvia.

Ir ao lugar, habitar, por algum tempo, com os que dele fazem o seu tempo, permite-nos, com a distância de quem habita e faz tempo noutros lugares, vislumbrar sinais da singularidade de cada morada.

Cracóvia é uma cidade bela. É uma cidade ampla, aberta, de espaços onde se pode peregrinar pela história sem se desistir do presente. É uma cidade que surpreende porque é ampla, como a planura da Polónia. Não via montanhas. Só planícies. As planícies que tão apetecível tornam este país e que podem ajudar a explicar porque tão difíceis foram, ao longo da história, as relações de vizinhança com alemães e russos, os seus ‘arqui-inimigos’ que muito ganhariam em, de vez, unir esforços, em vez de os dividir. A História deste povo é a história de uma luta contra os apetites vorazes dos que os rodeiam. É, por isso, uma história de resistência ao perigo do desaparecimento. Uma resistência visível na unicidade da sua língua - participei em missa dominical de que percebi pouco mais do que ‘efésios’, ‘Jesus’, ‘Jerusalém’ e muito pouco mais (Mas a virtualidade dos rituais é que a sua simbólica os torna transparentes para quem participa da sua semântica). Mas se se ousasse olhar quanto de significativo aqui se reserva! A Polónia teve, entre 1573 e 1795 reis que eram eleitos. E não se pense que só o podiam ser os que provinham das linhagens. Foram eleitos franceses, húngaros, leigos e bispos, reis e rainhas, numa diversidade que surpreende e evidencia a originalidade deste povo.

E no viver também se torna notória esta particularidade.

Surpreende a serenidade quotidiana de uma cidade com cerca de 700 mil habitantes que, não sendo exuberantes nos modos (não ouvi gargalhadas ou aparências de ‘piadas’, tanto ao gosto dos latinos. Na verdade, a única gargalhada e volumosa troca de conversas provinha de um grupo que, quando passou por mim, percebi ser de italianos…), se respeita e acolhe. Na estrada, não ouvi uma única buzinadela. Entrecruzam-se carros, elétricos, bicicletas e peões, sem que se atropelem e cedendo, espontaneamente, a passagem como se uma qualquer lei suposta tivesse demitido a presunção de que se ‘tem sempre razão’.

O sofrimento da história talvez explique a capacidade de não valorizar excessivamente o que não o merece.

Um sofrimento de que a célebre entrada de Birkenau (com a sua linha férrea dirigida ao abismo da História) ou o lema de Auschwitz (‘arbeit macht frei’) evocarão, para sempre e para todo o sempre.

No dicionário de Auschwitz-Birkenau eclipsa-se um vocábulo: ‘turista’. Outro preenche o seu lugar: ‘peregrino’.

É impossível passar por ali como quem sobrevoa um lugar. Os nossos pés ficam enlameados e presos na terra empapada de sangue.

A entrada, demorada e prolongada, antes de nos abeirarmos do portão encimado pela tristemente célebre frase feita do sarcasmo nazi (‘o trabalho liberta’), faz-nos percorrer um longo corredor onde, pausadamente, uma voz nos sussurra nomes. Um de cada vez, para que penetre, profundamente, em cada um, a memória viva de quem se quis apagar até o próprio nome, substituindo-o por um número.

Somos esmagados. Um nome. Outro nome. Outro nome… Nomes, apenas. Porque aquele percurso fora feito em sentido contrário: com o intuito de apagar qualquer nome.

Tudo em Auschwitz é maldade.

Para um judeu, que quer ser inumado, enterrado, para que possa ser devolvido à terra donde proveio, como Adão, ser cremado é a derradeira humilhação. Dessa humilhação falam os fornos crematórios. Esses definitivos ‘não-lugares’ e ‘não-tempos’.

Eram o último ato de sarcasmo nazi. Depois de despirem os recém-chegados aos campos, de os gasearem (em inúmeros casos) a pretexto de lhes proporcionarem banho, de os reduzirem a um número, de os dividirem uns contra os outros (os colaboracionistas e violentos tinham ‘benesses’ que recrudesciam as ações de uns para com os outros), de os desumanizarem até ao mais baixo possível (Birkenau é um campo composto por barracas que se destinavam a animais, transformadas em lugares para ‘amontoados de pessoas’), reduzir a fogo e cinza era o derradeiro grito sarcástico.

A humilhação pura, gratuita, decadente, desumanizante.

Auschwitz-Birkenau é silêncio. O silêncio que se abate sobre nós.

O silêncio que nos deve despertar.

Como recordava a guia, de nome ‘Aneta’, isto só foi possível porque o ‘mal e o bem se confundiram’.

E, como me recordava alguém muito próximo, quando lhe disse onde estivera, ‘Auschwitz cheira a morte’.

Li, durante os dias em que fiz esta ‘peregrinação interior’, o livro de Bernard Michal, ‘os julgamentos de Nuremberga’.

Densificou-se em mim a convicção de que não podemos estar certos de não se repetir a inumanidade de que fala Auschwitz. Exige-se que não se deixem adormecer os ‘não-violentos’. Exige-se que não deixemos de agitar a cinza sob a qual repousa o brilho. Exige-se que continuemos a ver o humano que refulge sob as rugas dos tempos e debilidades. Exige-se que mantenhamos a certeza da humanidade onde a ideia que desumaniza pretende prevalecer. Exige-se que nos mantenhamos atentos, em atitude de sentinela. A alvorada verdadeira só será a do sol, não a dos holofotes sinistros.

Os tempos são de exigente atenção.

Quem serão, hoje, os novos ‘judeus’?

Os de sempre, bem certo, e tantos novos…

Os que ninguém quer porque ainda não são; porque já não parecem ser; porque nunca poderão ser; porque serem incomoda; porque serem perturba; porque já não merecem a esperança.

Quem são os novos ‘judeus’?

Em memória dos judeus de todos os tempos exige-se que despertemos e honremos a memória dos esmagados pelas botas de ferro.

Somos todos humanos, fragilidade de Adão e só na eternidade seremos como o Eterno. Até lá, fazemo-nos de ‘terra’, de caminho juntos, de olhar que vê o humano que a deficiência habita. O verdadeiro poder não é o da humilhação, mas o do perdão que cresce e faz crescer; que acolhe e respeita.

Schindler recorda-o, no celebérrimo filme, em diálogo com Amon Goeth. O maior poder dos imperadores, diz Schindler, não era o de matar; mas o de perdoar quando o destino apontara a morte como fatalidade intransponível.

Esse é o maior poder: o de perdoar. O de se reconhecer pequeno como e com os pequenos.

Como os de Cracóvia, não precisamos de ‘buzinar’ porque nos respeitamos, reciprocamente. O outro não nos estorva: vive connosco e crescemos, juntos, com a singularidade de cada um, sem a qual somos mais pobres. A nossa verdadeira riqueza são os outros. O que é novo não nasce de nós: recebemo-lo dos outros.

Auschwitz é a negação disto; é a recusa do outro e a sua redução à condição de estorvo a abater.

Mas, sem o outro, sem o tu que o outro é, morre, também, sob a ilusão de vitória, o próprio eu. Permanece na sua loucura narcísica. Torna-se uma massa informe. A massa amorfa e sem identidade que pretendiam os nazis.

É por isso que Auschwitz terá de permanecer, para sempre, como aguilhão doloroso na pele de todos: ninguém seremos, se não ‘formos’ com os outros, únicos e singulares.

domingo, agosto 07, 2016

Recensão

 António MARUJO - A lista do Padre Carreira. Amadora: Vogais, 2016, 205 pp.
O livro que é um filme!


1994 é um marco na minha vida e tê-lo-á sido, certamente, na vida de muitos amantes do cinema, mas, também, da História. Recordo-me de, nesse ano, ter visto, na tela do cineteatro ‘avenida’, em Coimbra, o filme «a lista de Schindler», de Steven Spielberg. Guardo na memória o silêncio com que o público ouviu, até ao último acorde, a envolvente melodia, genialmente tocada ao violino por Itzhak Perlman, que acompanha o fim deste filme que passa de preto e branco a cores, quando os sobreviventes salvos por Schindler depositam uma pedra sobre o seu túmulo.
Até então, desconhecia quem era Oskar Schindler e, sequer, Aristides de Sousa Mendes, Sampaio Garrido, Brito Mendes ou Padre Carreira. Foi pela mão do cinema que o mundo conheceu o nome daquele empresário checo que salvou mais de mil judeus das garras do nazismo.
O tempo veio a resgatar do esquecimento outros nomes e Portugal reconciliou-se com alguns dos seus concidadãos que ocupam, hoje, um lugar singular entre aqueles que o Yad Vashem (Autoridade para a Memória e Heróis do Holocausto, em Jerusalém) reconhece como ‘justos entre as nações’. Recordo-me de, com o tempo, me ocorrer que nos faltava um Steven Spielberg que levasse à tela do cinema a nobreza e ousadia de Sousa Mendes, a quem devem a vida mais de 10 mil judeus, ou a ação de Sampaio Garrido e Teixeira Branquinho, que salvaram cerca de 1000 pessoas, ou a discreta mas corajosa decisão da família Brito Mendes, a quem se deve a vida de uma menina judia (destas comoventes histórias nos fala, com detalhe, o livro que aqui apresentamos).
A leitura do livro de António Marujo, ‘A lista do Padre Carreira’, que a editora Vogais faz chegar às mãos dos leitores portugueses, fez-me regressar a 1994. António Marujo, qual Spielberg no cinema, conta, com detalhe e fundamentação, a ousadia e coragem de um padre português, no tempo da Roma tomada pelos nazis, entre 1943 e 1944, e a quem o Yad Vashem reconheceu, em 2014, a condição de ‘justo entre as nações’. Como em 1994, a emoção da leitura fez-me silenciar perante a memória de um homem que ousou arriscar a vida, concedendo ‘asilo e hospitalidade no Colégio [Pontifício Português] a várias pessoas que eram perseguidas na base de leis injustas e desumanas’. Mas António Marujo não nos oferece, apenas (e já não seria pouco!), uma narrativa vívida e intensa das condicionantes da decisão do Padre Carreira, permitindo-nos regressar àquela época e compreender os meandros que adensam a carga de coragem que envolvem a escolha do padre português. Também outros problemas que dizem respeito à ação da Igreja no contexto da II Guerra Mundial são aqui retratados, com verdade e honestidade, numa descrição que vai à raiz de cada matéria. A discussão sobre a atuação do Papa Pio XII encontra aqui novos elementos que tornam incontornável a visita a este livro para uma qualquer análise que se pretenda honesta e documentada.
Se é certo que a biografia de alguém é sempre um campo aberto, não é infundada a afirmação de que «este livro é a biografia definitiva» do Padre Carreira. António Marujo, que faz jus aos seus méritos de jornalista premiado internacionalmente (recebeu, por duas vezes, o Prémio Europeu de Jornalismo religioso na imprensa não-confessional, atribuído pela Fundação Templeton e Conferência das Igrejas Europeias, em 1995 e 2006), descreve, aqui, com uma fluidez de escrita que prende quem a lê, os momentos mais marcantes de uma vida, que, afirmando-se como singular pela decisão de acolher os refugiados que se salvaram no Colégio Pontifício Português, não se esgota nesse tempo e escolha. A coerência da vida que se configura nessa escolha transparece nos muitos documentos, nos diversos acontecimentos e múltiplos testemunhos com que se constrói a narrativa. António Marujo não deixa pontas soltas. O que diz tem motivos: justifica-o e fundamenta-o. É por isso que este é um livro ímpar. Lê-lo é participar de um ato de justiça porque resgata do esquecimento a memória de um justo esquecido.

domingo, outubro 27, 2013

O poder de quem perdoa

Na lógica de poder em que parece assentar a nossa sociedade, quem é forte e exerce sobre os mais frágeis a sua violência julga-se vigoroso e possuidor do maior poder. Contudo, um olhar mais atento constatará que, após o exercício da violência, quem detém o poder é o agredido. Não apenas num plano moral ou religioso. Se olharmos com cuidado, o agredido tem o poder mais vigoroso de permitir a reconciliação do agressor com a sua própria consciência. Se o agredido não perdoar, de nada valerá o desejo da reconciliação.

Ilustro esta minha constatação com uma história real, que ouvi contar ao coordenador nacional da pastoral penitenciária, Pe. João Gonçalves, que a terá ouvido de um membro da pastoral penitenciária brasileira. Em certo Estado brasileiro, ocorreu um assassinato de que resultou a detenção e punição do assassino. A mãe da vítima, feito o luto da morte do filho, convenceu-se de que o seu sofrimento de mãe não era o único sofrimento materno que aquele assassínio provocara. De algum modo, também a mãe do assassino do seu filho sofreria violentamente, pois – afirmava a mãe da vítima - nenhuma mãe cria um filho para o tornar um assassino. Firme na sua convicção, encontrou-se com a mãe do assassino do seu filho, a quem manifestou que, no seu íntimo, lhe tinha perdoado e, por isso, partilhava com a outra mãe a tranquilidade que aquele perdão gerava em si mesma. O perdão gerou laços entre as duas famílias que, após descobrirem partilhar a mesma fé, se encontraram, na prisão, por altura da Páscoa de um desses anos.

Sem o perdão, nenhuma daquelas mães encontraria descanso, sossego e tranquilidade de alma, pois a ofensa, quando não perdoada, encarrega-se de devorar o ofensor e o ofendido, destruindo o seu íntimo.

O desafio cristão de perdoar setenta vezes sete, expressão semítica com que se pretende referir o sem-limite, é, para além de um enorme repto de teor religioso, em si mesmo uma manifestação de profunda leitura do íntimo humano. Quando há ofensa e não ocorre o perdão, todos perdem e jamais se encontra a paz.

Desta certeza se dá nota num dos mais belos filmes da história do cinema, a «Lista de Schindler», num densíssimo diálogo entre o bondoso Schindler e o demoníaco Amon, chefe de um dos mais tristemente célebres campos de concentração, o de Płaszów. Vale a pena recordar o diálogo.

Diz Amon, já ébrio, a Schindler- «Sabes? Olho para ti. Observo. Nunca estás bêbado. Isso é verdadeiro controlo. Controlo é poder. Isso é poder.»

Faz-se silêncio. Um silêncio denso, de quem está a procurar a verdade.

Schindler quebra o silêncio com uma pergunta.

- «É por isso que nos temem?» - Referia-se aos que padeciam as atrocidades dos nazis, nos campos de concentração.

 Amon responde, com crueldade: - «Temos o poder de matar. É por isso que nos temem.»

Schindler riposta, usando, primeiramente, a linguagem que Amon entende, para, depois, o levar onde pretende.

- «Temem-nos porque temos o poder de matar arbitrariamente.

Um homem comete um crime. Não o deveria ter feito. Mandamo-lo matar, e sentimo-nos muito bem por isso. Ou matamo-lo com as nossas próprias mãos e sentimo-nos melhor. (Schindler refere-se, aqui, à crueldade do próprio Amon e não a si mesmo) Contudo, isso não é poder. É justiça. É diferente de poder. Poder é quando temos todas as justificações para matar… e não o fazemos.»

Amon, surpreendido e desarmado, pergunta: - «Achas que isso é poder?»

Schindler responde-lhe com a linguagem que Amon entende: - «Era o que os imperadores tinham. Um homem roubava uma coisa, era levado perante o imperador… Atirava-se ao chão, implorava misericórdia. Sabe que vai morrer. E o imperador perdoa-lhe.»

 Amon já não entende nada: - «Acho que estás bêbado.»

 Schindler remata: - «Isso é poder, Amon. É poder.»
Na verdade, estou convencido de que este é, de facto, o maior poder que possuímos. É o poder de dar nova vida a quem sente que não merece desculpa, mas encontra, no perdão do outro, uma nova oportunidade. E a vida rejuvenesce.

Quão diferente seria o mundo se o poder que vigorasse fosse esse e não a ilusão do domínio do outro! Há ofensas difíceis de suportar, bem certo, como ilustra a história verdadeira acima contada, mas não aceitar perdoá-las duplica a sua agressividade, pois destrói, no íntimo, o humano que há em nós. Perdoar é uma força que permite olhar, de frente, o mal e destruir-lhe o seu poder demolidor. Já assisti à reconciliação de uma família desavinda há trinta anos porque o ofendido aceitou o pedido de perdão de quem ofendera… e todo o tempo de não perdão ficou com tons de tempo perdido. É por isso que vale a pena ousar exercer este poder de perdoar… Para ganhar o tempo. Para ganhar tempo!

'Os Sete Dias da Criação' |11| Luís M. P. Silva - 11 – O segundo dia… a preparar o terceiro!

  (‘Os Sete Dias da Criação’ | Rubrica dedicada ao diálogo entre ciência e religião) Artigo originalmente publicado na revista 'Mundo Ru...